Vinda da escuridão – parte 4 e 5

IV

Joseph cavalgava rápido certo de que encontraria o culpado pelo incêndio no chalé das irmãs Carter, naquela hora do dia elas não estariam “trabalhando”, deveriam estar se preparando para o trabalho. Então ele poderia encontrá-las com facilidade.

Ao avistar o chalé Joseph, reduz a velocidade na qual cavalgava para apenas um trote suave, não queria assustá-las com uma aproximação abrupta. A cem metros do chalé ele desmonta, prende o cavalo numa árvore próxima e avança a pé até a soleira do chalé.

– Alguém aí? Lis, Hanna e Kimberly onde vocês estão! – grita Joseph.

O ruído característico de uma pistola quando é preparada para o disparo às suas costas, fazem correr o frio na espinha.

– Levante as mãos e fique de joelhos. Não hesitarei em apertar o gatilho.

A voz feminina deixou Joseph mais tenso, se realmente foi uma das irmãs Carter a responsável pelo incêndio ele não sairia vivo deste lugar. “Mas em que eu estava pensando?”, pensava.

– Calma… – disse Joseph começando a se virar.

Junto ao movimento, o ruído seco do disparo, que antecipara a sensação de calor e dor no joelho esquerdo, devido à dor Joseph sente a perna dobrar levando-o ao chão.

– Meu joelho! Sua vaca! Você acertou meu joelho! – gritava de dor o xerife.

– Eu avisei xerife. Faça o que estou mandando. O próximo será o final de sua patética e infeliz vida. – disse a mulher com uma voz calma.

Sem alternativas o xerife passou a fazer o que a mulher dizia. Nesse momento ele sente uma pancada forte na nuca e tudo apaga.

V

Joseph aos poucos vai recobrando os sentidos, o joelho alvejado dói muito mas ele sente que está enfaixado. Com a visão ainda borrada, ele percebe que está num quarto pequeno e existe outra pessoa ali também.

Ao tentar mexer o corpo ele sente a dor do joelho, mas não estava preso. Então com muita dificuldade ele consegue se levantar. Passa a mão no rosto, a dor do contado da mão no rosto é dilacerante, parecia que tocava direto na carne. Ele com dificuldades vê um espelho rachado pendurado na parede, o ângulo não o permite ver seu reflexo.

Joseph fica de pé e com muito custo se aproxima do espelho. Ao ver seu reflexo Joseph tenta gritar, mas seu grito sai abafado. A pele de seu rosto fora arrancada e sua boca costurada. As lágrimas que vertem de seu rosto queimam como ácido correndo na pele ao escorrerem pela carne.

Ele se aproxima do outro corpo, depois de um tempo ele reconhece é Joshua Bartey o outro homem que estava com ele no dia em que estupraram a jovem Elisabete, Joshua estava com a barriga aberta, com vários insetos e vermes devorando-o. Não tinha ainda o odor de corpo em putrefação, o que demonstrava que ele havia morrido há pouco tempo.

Joseph incentivado pelo medo da morte certa procura forças para suportar as dores e inicia sua fuga, ele encontra sob um armário pano limpo e uma bacia com água que ele usa umedecer o pano e enfaixar sua cabeça.

Após enrolar o pano úmido na cabeça ele busca uma saída para aquele lugar, “Onde será que eu estou” se perguntava o xerife. Sem muita dificuldade o que ele acabara estranhando ele consegue encontrar a saída daquela casa.

Do lado de fora da casa ele encontra uma cesta de onde podia ouvir um choro de criança. Junto a ela um bilhete:

“Joseph Klark, já fora punido pelos seus pecados, agora deverá cuidar desta criança como se fosse sua. Nós sempre estaremos lhe observando. Siga para o norte. Não volte para a sua casa. Tudo o que precisa está amarrado no seu cavalo. Leve a criança consigo e a crie que não voltaremos.”

Joseph começa a chorar copiosamente como uma criança ao terminar de ler o bilhete, ele toma a cesta e segue na direção do cavalo. Ao contornar a casa ele vê uma cena que jamais sairia de sua lembrança. As irmãs Carter mortas nuas pregadas ao solo com seus ventres abertos. No chão um pentagrama era desenhado com o sangue das mulheres.

Então ainda com o pavor pela sua vida ele foge na direção do norte.

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