Vinda da escuridão – parte 8.

VIII

– Chegamos senhor Eric. – fala o motorista parando o automóvel.

Steve desce antes num só pulo e rapidamente já está ao lado de Eric ajudando-o a descer do veículo.

– Steve, em quanto tempo estará de volta? – pergunta o vendedor arrumando o terno.

– Estarei aqui aguardando pelo senhor dentro de uma hora. Mas não precisa correr com seus afazeres. Eu vou comprar alguma comida para ele e buscar a mala do Sr. Fisher, depois eu irei jantar no hotel. Portanto pode fazer tudo com tranqüilidade.

Na mente de Steve ele seguia o plano de seu patrão, ganhar tempo. Era tudo o que ele precisava, se o vendedor estivesse com muita pressa ele poderia forjar uma quebra no veículo. Um homem do interior não deveria conhecer muito destas máquinas e esse seria o plano caso tivesse problemas.

– Então está certo irei fazer minhas coisas, e caso não esteja tudo pronto quando chegar buzine que irei me apressar para terminar o que estiver fazendo.

– Está certo assim senhor Eric.

Com isso os dois homens se despedem com um aperto de mãos.

Enquanto Eric seguia para sua casa, Steve deixava escapar um sorriso no canto da boca.

– Brenda! Brenda! – entrava gritando Eric em casa chamando pela esposa.

– O que foi Eric, por que essa gritaria toda?

– Prepare alguma coisa para eu comer enquanto vou me trocar, acho que vou conseguir vender a fazenda dos Lambert. Mas devo passar a noite lá com o comprador.

– Querido você tem razão que quer fazer isso? Passar a noite naquele lugar? – disse Brenda com a voz preocupada.

– Vamos logo mulher! Se eu vender aquela propriedade estaremos livres de todas as nossas dívidas. Não será uma lenda que os mais velhos contam que vai nos impedir! – respondeu Eric subindo as escadas e tirando a roupa.

Brenda Keneth era um bebê quando o incêndio ocorreu, mas as marcas deixadas em toda a cidade ainda eram sentidas, e como o marido iria passar a noite na fazenda amaldiçoada dos Lambert ela se lembrava das estórias contadas por seu avô sobre o incêndio.

No dia anterior ao incêndio, o noivo se sua tia; Joseph Winchester, o então xerife da cidade, havia marcado a data para o casamento. Porém a última vez que ele foi visto foi pela manhã nos restos do incêndio e depois partiu a cavalo em direção a cidade e nunca mais foi visto por ninguém.

Devido ao desaparecimento do noivo, a tia de Brenda tentou diversas vezes o suicídio, quando por fim conseguiu um mês depois do desaparecimento ela foi encontrada morta enforcada pendurada no quarto.

Nessa época um novo médico chegava à cidade era um alemão chamado Dr. Frings, ele veio para a cidade com a esposa uma descendente de nativos americanos, criada no Oeste chamada Marta. Como único médico da cidade ele foi o responsável pela verificação do corpo antes do enterro.

Durante o exame do corpo o médico reparou e contou para os pais da moça que ela já não era mais pura, e, portanto esse talvez fosse o motivo da tragédia.

Por um ano o avô de Brenda procurou por indícios do paradeiro de Joseph Winchester, mas em vão. Os outros membros da família do antigo xerife um a um foram acometidos de males mentais, fazendo com que alguns se matassem outros ficassem loucos e largassem tudo e partissem da cidade no meio da noite. Todos na cidade condenavam aquele lugar, após o incêndio todas as famílias da cidade passaram a ter uma história ruim para contar.

Eric retornava do quarto já com a maleta com alguns itens de higiene e roupas extras, bem como um revólver, nunca se sabe o que será preciso. Enquanto a mulher preparava algo de comer para levar ele comia o jantar que estava servido e escrevia um bilhete.

– Pronto Eric aqui está. – disse Brenda deixando um embrulho de papel sobre a mesa. – Não vai adiantar eu pedir para que não vá. Então lhe peço, tenha muito cuidado e volte vivo para casa.

– Pode deixar querida, não vai acontecer nada. – Eric respondia escondendo o bilhete com o lenço que usara enquanto comia.

Ele então se levanta, dá um beijo apaixonado na esposa.

No momento marcado o motorista do estranho homem buzinava conforme o combinado e o aguardava por Eric.                 Brenda leva o marido até a porta com a sensação de que talvez essa fosse à última vez que estava vendo o marido.

– Fique tranqüila, eu vou ficar bem. – disse Eric dando um beijo na testa da esposa – – Fique com Deus meu amor.

Ao ouvir essas palavras Brenda fica mais calma esboça um sorriso, e quando o marido parte com o outro homem no automóvel ela balbucia passando a mão na barriga ainda pequena, mas que guardava o primeiro filho do casal.

– Você também Eric. Volte para nós. Nós te amamos.

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