Vinda da escuridão – parte 12

XII

                – Então Sr. Fisher está pronto? – perguntava o vendedor.

– Vamos. – respondeu Thomas Fisher se levantando.

Fisher fingindo um mal estar súbito se apóia em Eric e aproveitando-se da desatenção põe as chaves no bolso do paletó de Eric.

– Está melhor chefe? – perguntou o motorista para Thomas.

– Bem melhor… – responde, e continua – Muito obrigado Eric por me sustentar enquanto me senti mal. Por um momento parece que tudo estava rodando.

– Não precisava agradecer Sr. Fisher. Vamos entrar, na sala de estar existem poltronas confortáveis para o senhor se sentar para se recuperar. – Diz colocando a mão no outro bolso do paletó e tirando um molho e escolhendo a chave correta para abrir a porta da frente.

– Thomas, pode me chamar pelo meu nome. – respondeu Thomas Fisher.

Os três entram na casa. Enquanto Steve levava Thomas até uma cadeira, Eric ia acendendo algumas lamparinas e pouco a pouco o ambiente ia se iluminando. Steve observava nos olhos de seu patrão que seu estado de espírito ia sutilmente sofrendo alterações. Ele aparentava surpresa e espanto enquanto observava a sala que ia ficando iluminada. Steve estranhava, pois de acordo com os planos Thomas já deveria conhecer esse lugar.

– Algum problema chefe? – perguntou Steve.

– Não… Só que… Essa sala está diferente.

Eric voltava até os dois com o ar amistoso de sempre.

– Thomas, está se sentido melhor?

Com um aceno afirmativo feito com a cabeça, Thomas responde a pergunta do vendedor.

– Esta casa sofreu um incêndio há alguns anos e então o antigo proprietário que é seu atual dono. Reconstruiu a propriedade, porém ao contrário do que todos pensam esta casa segue a mesma estrutura da casa original. Nenhuma porta fora colocada num local diferente do que era na casa original. Todas as passagens originais foram mantidas até mesmo as passagens escondidas. Tudo isso foi possível porque o mesmo homem que fez o desenho da casa original fora contratado pelos novos proprietários para chefiar a obra.

Os olhos de Fisher demonstravam sua perplexidade ante a nova explicação. “Então tem alguém realmente aqui.” Esse pensamento esfriava o interesse de Thomas pela casa, quando o discurso de Eric e seus pensamentos são interrompidos por um barulho vindo da cozinha como se um vidro fosse quebrado os chamou a atenção.

– Vocês ouviram isso? – perguntou Steve.

– Parecia um vidro estourando. – respondeu Eric.

– Foi exatamente isso que eu ouvi. Vou até a cozinha, parece que o barulho veio de lá. – falou Thomas.

Thomas segue na frente com passos decididos, enquanto os outros dois o seguem cautelosamente. Ao se aproximar da cozinha Thomas tem a impressão de ver uma massa mais densa na escuridão que ao tentar focar desaparece.

Os três homens chegam à cozinha e Eric que vinha trazendo consigo uma lamparina acesa que põe sobre uma bancada onde possa iluminar boa parte do cômodo. Steve passa a procurar por vestígios de vidro quebrado no chão próximo a pia, enquanto Thomas fazia o mesmo próximo a porta da dispensa.

Eric que estava mais afastado um pouco dos dois homens em sua busca, analisava a cozinha. Havia algo de estranho naquele lugar, então movido mais pelo instinto que pela razão ele diz:

– Thomas, dentro da dispensa.

Thomas de pronto se aproxima da porta e com cuidado, gira a maçaneta até ouvir o ruído que o informaria que ela estava aberta. Ele puxa lentamente a porta abrindo-a esperando ver um armário com prateleiras em seu interior. Porém o que ele encontra é outra porta aberta com uma escada de acesso possivelmente ao porão da casa.

Os três então seguem pela escada chegando até o porão. Thomas pensava que iria sair na sala onde estivera mais cedo, porém a sala era totalmente diferente. No lugar de uma adega eles estavam num local que mais lembrava um consultório médico. Estantes com várias compotas, livros e instrumentos cirúrgicos decoravam o local que em um dos seus cantos possuía uma mesa similar a mesa onde eram feitas operações.

Neste momento os homens se assustam, a porta do armário fechava com um barulho como se alguém a houvesse batido com força, em seguida sons de uma alavanca sendo manipulada e algum móvel pesado sendo arrastado. Por fim passos de alguém descendo a escada, vindo em sua direção.

Os três homens buscam por algum lugar para se esconder enquanto os pesados passos na escada se aproximavam. Quando parecia que iria cruzar o portal de acesso os passos cessam apenas uma brisa é sentida pelos homens. Uma brisa que lhes gela a alma.

– NÃO!!! – gritava Eric, subitamente caindo de joelhos no chão cobrindo os olhos com as mãos. – PARE, PARE, DEIXE-ME SAIR!

Steve e Thomas tentam acalmar o homem sacudindo-o. Mas quando Eric olha para os dois ele com uma força desproporcional à sua constituição física empurra os dois que acabam caindo e parte correndo para a saída da sala.

Enquanto Steve e Thomas se levantavam eles ouviam os passos de Eric subindo a escada.

– Eric! Eric! Se acalme não há nada aqui! – gritava Thomas. – Steve, verifique essa sala. Vou tentar acalmar o vendedor. Quando terminar, nos encontre na sala de estar. – disse enquanto seguia o vendedor.

– Tudo bem Thomas, mas não estou gostando deste lugar. Ele não parece com nada que tenhamos nos encontrado antes. Desta vez parece real.

As palavras finais proferidas pelo motorista não foram ouvidas pelo amigo que já seguia pela escada. Agora Steve estava sozinho naquele escuro cômodo.

Ele ouve um ruído próximo a mesa, mas seja lá o que foi que o atingiu foi tão rápido que Steve ainda teve a impressão de ver seu corpo de pé enquanto sua cabeça caía no chão.

 

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