Vinda da escuridão – parte 14

XIV

Enquanto Thomas subia os degraus de dois em dois tentando alcançar Eric ele sentia que o ar da casa sofrera uma modificação sutil. Ele chega à cozinha ainda a tempo de ver Eric entrando na sala de estar. Então apressando ainda mais o passo ele consegue chegar até o vendedor.

– Eric! Eric! Contenha-se! – diz sacudindo o homem pelos ombros.

Aos poucos o vendedor parece recobrar a razão, na mesma proporção que Eric sente que o ambiente da casa vai ficando cada vez mais normal.

– Está melhor meu amigo? O que aconteceu lá embaixo? – pergunta Thomas com uma foz tranqüila.

– Não me lembro direito. Parecia que uma mulher com o corpo queimado se aproximava de mim dizendo “relaxe, você vai gostar!”. E então quando ela tentou me tocar eu corri, corri como se a minha vida dependesse disso. Senhor Thomas, vamos sair daqui. Não irei ficar nem mais um segundo nessa casa.

– Ora meu amigo, está desistindo da venda? – Thomas tentava com a pergunta fazer com que o homem ficasse. – Vejamos… Eu dobro a sua comissão caso passe a noite aqui comigo.

Eric não desejava ficar naquela casa. Ele sabia que havia algo ruim ali, ele vira. Mas a possibilidade de resolver seus problemas financeiros e dar uma vida melhor para a família falava mais alto. Motivado por essa finalidade Eric tomou uma decisão.

– Está certo. Mas fecharemos agora a venda. Concorda?

– Pode pegar os papeis. – disse sorrindo Thomas.

Após assinarem os papeis de compra do imóvel, os dois homens caminham pelo segundo andar da casa onde ficam os quartos e uma sala de leitura. Após Eric apresentar todos os cômodos do segundo andar eles sentem falta do motorista Steve.

– Seu motorista está demorando não é verdade?

– Sim. Ele deve estar nos aguardando na sala de estar. Ele ainda deve estar lá em baixo. – diz Thomas se caminhando em direção ao andar inferior.

Os dois homens descem a escada e seguem para a sala de estar. Neste momento eles nem mais se lembravam do que acontecera no porão da casa. Chegando lá eles encontram com Steve olhando pela janela na direção do automóvel.

– Ora Steve! Está há muito tempo nos esperando aqui? – perguntou Thomas.

O homem se vira lentamente para os homens. Por um instante seu reflexo pode ser visto no vidro da janela. Seus olhos são completamente negros como se fosse pintado de nanquim. Ele então fecha os olhos terminando face a face com o amigo e ao abri-los estão novamente na sua cor natural.

– Não, não Thomas. Cheguei há pouco tempo. Não havia nada lá no porão apenas ratos e alguns fungos venenosos raros.

– Então está certo. Adquiri a propriedade conforme havia planejado.

– Isso mesmo. Podemos nos recolher? O dia em breve irá nascer. – diz Eric já demonstrando sinais de cansaço.

Então com os três de acordo, os três homens cada um em um quarto se recolhem.

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