Vinda da escuridão – parte 21

XXI

                Algumas semanas depois do acidente com a senhora Frings, o esperado anúncio do noivado de Thomas Fisher e a jovem Amanda fora comemorado com uma grande festa na casa de Thomas.

                Nos meses de preparação para o casamento os negócios de Fisher prosperavam mais e mais e ele que já era um dos homens mais ricos da cidade, se tornara também um dos mais ricos de todo o estado da Louisiana.

                Essa ascensão começa a incomodar algumas pessoas e a despertar o interesse de muitas outras, dentre estas o xerife Lebeau que desde o acontecimento na casa de Thomas estava sempre o observando de longe esperando que ele cometesse algum deslize.

                Era a manhã de uma sexta-feira seu casamento aconteceria a noite, Thomas acabara de chegar ao seu escritório para concluir algumas pendências que havia deixado do dia anterior quando sua secretária entrava pela porta carregando algumas pastas.

                – Eleanor, eu disse que pela manhã não faria nada hoje, não receberia ninguém.

                – Sr. Fisher, um homem que se apresentou como Matheus West de Diamondhead, deseja falar com o senhor. Eu falei para ele que o senhor estava muito ocupado, mas ele insistiu para que eu o anunciasse. Devo pedir para ele se retirar?

                – Matheus West? Não! Deixe-o entrar. Depois tranque a porta. Não quero ser incomodado por ninguém. Mesmo que seja minha noiva ou o Steve.

                Eleanor deixa as pastas sobre a mesa do chefe e depois convida o visitante a entrar no escritório. E assim que sai faz como o ordenado por Thomas deixando os dois homens a sós.

                Ainda da porta e com a secretária a sua costas, Matheus sorri para Thomas. E quando Thomas ouve o trinco da porta retribui o sorriso enquanto se aproxima de Matheus.

                – Como vai Thomas? – diz Matheus apertando-lhe a mão.

                – Ora você não está adiantado? Aguardava sua visita somente daqui a vinte dias como estava no comunicado que me enviou!

                – Houve alguns problemas Thomas… Parece que descobriram seus planos.

                – Como assim? Somente nós dois sabíamos do nosso acordo.

                – Parece que alguém desta cidade está fazendo uma investigação minuciosa sobre a sua vida. E isso pode nos causar sérios problemas.

                – Você sabe quem é? Eu apostaria no Xerife Lebeau.

                – Não, não é ele. Não tenho ainda essa informação. Mas Lebeau não chegaria tão longe.

                – Vamos Matheus você está me escondendo alguma coisa! Você sabe de mais coisas e não quer me contar? Não se esqueça que sou eu que estou na ponta da lança. Se alguma coisa acontecer vai ser comigo. Então nosso trabalho todo será em vão.

                – Eu sei Thomas, eu sei…

                – Então, se você se expôs tanto me enviando aquele comunicado e vindo até aqui. Deve ser alguma coisa mais importante

                – Parece que a pessoa que está te investigando, está perto de descobrir para quem você trabalha. Depois disso para chegar até a mim e aos outros vai ser muito fácil.

                Thomas fica em silêncio completamente absorto com a revelação de Matheus. Afinal ele não se comunicava com ninguém desde que começou os preparativos de seu casamento havia seis meses.

                – Eu sei que você gosta da menina, Thomas. Mas não se esqueça que nós enviamos você aqui para encontrar respostas. E até agora não encontramos nada. E se demorar mais você colocará a jovem e a família dela em perigo também.

                – Você está certo Matheus. Vou adiantar as pesquisas. Mas agora está mais difícil desde o dia da compra da casa nenhuma atividade foi detectada.

                – Thomas, tome muito cuidado. Só somos nós dois desde que eles se foram. – diz Matheus com olhar preocupado – Não quero ter de enterrar meu irmão mais novo. Como não posso estar aqui com você. Tome muito cuidado.

                Thomas acompanhava o irmão pela janela de sua sala enquanto pensava em tudo o que lhe fora dito. Então ao ouvir o som do Blood Diamond aportando e chamando sua atenção fazendo com que ele se lembrasse que no final daquele dia ele iria se casar com sua bela noiva Amanda.

Vinda da escuridão – parte 20

XX

 

Thomas se acomodava na sua poltrona enquanto indicava uma cadeira para que o xerife se sentasse, já tomando a iniciativa na conversa:

– Pois bem xerife, sobre o que gostaria de conversar comigo? Deve ser algum problema grave, pois veio até a minha casa.

– Pelo que vejo é um homem bem prático Sr. Fisher? Então tentarei ser tão prático quanto você Thomas.

– Me desculpe xerife, mas somente meus amigos me chamam pelo meu primeiro nome. – interrompeu Thomas.

A atitude de Thomas pega o xerife de surpresa e ainda desnorteado ele prossegue:

– Perdoe-me então Sr. Fisher. Pois bem, o senhor vem de Diamondhead no Mississipi não é verdade? – pergunta o xerife.

– Sim, todos sabem disso. Fui criado lá.

– Pois bem, o xerife de Diamondhead me enviou um comunicado para entregar ao senhor.  Aqui está. – diz colocando o envelope sobre a mesa e empurrando para Thomas. – Junto ao comunicado ele pediu para informá-lo que a sua casa foi destruída por um incêndio.

– Como? Incendiada? – diz pegando o envelope.

– O Senhor há poucos dias viajou para Diamondhead Sr. Fisher?

– Não. Não vou para lá faz dois anos. Minha casa estava à venda por isso.

– Tem como comprovar que não viajou para Diamondhead há três semanas?

– Tenho sim. Há três semanas fui pescar em alto mar com meu futuro sogro. Ele pode confirmar se desejar.

– Não será preciso.

– Mais alguma pergunta xerife Lebeau? – pergunta já se levantando da cadeira.

– Por hora não senhor Fisher.

Thomas se dirige até a porta do escritório enquanto fala.

– Então como não tem mais nenhum negócio a tratar comigo xerife. Sinta-se a vontade de voltar a me visitar quando achar necessário. Agora se me dá licença, devo conversar com meu futuro sogro para saber como minha futura sogra e esposa estão.

 

O xerife Lebeau se levanta calmamente observando bem o escritório de Thomas enquanto fala:

– Pode ter certeza disso senhor Fisher. Sempre que eu achar necessário virei até aqui visitá-lo.

 

“Mas o que será que o Matheus quer comigo? Melhor ainda por que ele me enviou um comunicado oficial?” – pensava Thomas enquanto acompanhava por olhar o xerife enquanto ele se afastava da casa em direção a cidade. Enquanto segurava o envelope que lhe fora enviado.

 

Vinda da escuridão – partes 18 e 19

XVIII

– Doutor Frings! Doutor Frings! – grita Geremy que corria atrás do médico.

Phillip ao ouvir que era chamado, volta a atenção para o mordomo que se aproximava correndo.

– Por Deus homem! Por que tamanha agitação?

– Doutor Frings… Sua esposa… Sofreu um acidente. – respondeu ofegante.

– Mas! Vamos, vamos logo! – disse Phillip correndo em direção à mansão.

Thomas e Amanda, acompanhados por M’tulhu retornavam quando avistam o Doutor e Geremy correndo de volta para a mansão.

– Thomas, o que deve estar acontecendo? Por que papai estaria correndo?

– Não sei querida, mas vou até lá para ver o que está acontecendo. Não se preocupe não há de ser nada demais. – Diz tentando acalmar a jovem. – M’tulhu, acompanhe minha noiva até a mansão eu vou me adiantar para saber o que está acontecendo.

– Pode ir Sr. Fisher. Eu acompanharei a senhorita Carter até a mansão. – respondeu M’tulhu com seu forte sotaque francês, enquanto Thomas acelerava o passo distanciando-se.

– M’tulhu, o que sua intuição diz?

– Minh’ama. Não deve se preocupar enquanto o Sr. Fisher estiver na casa nada de mal acontecerá. Pode ter certeza disso.

– Como você pode ter tanta certeza disso M’tulhu?

– O vento me contou minh’ama, o vento me contou. – reponde M’tulhu observando que Thomas corria envolto por uma sombra que ficava cada vez mais densa ao se aproximar da casa. – agora devemos seguir tranquilamente minh’ama.

XIX

O som da vidraria quebrando chamou a atenção dos dois homens que estavam na sala que num salto partiram em direção da origem do som. Lá eles encontraram a senhora Frings caída com um corte na cabeça por onde sangrava bastante e uma prateleira de vidro da estante da sala de jantar quebrada. De imediato Steve ordenara para que Geremy buscasse o doutor Frings que caminhava a procura da filha e do futuro genro. Enquanto o xerife LeBeau se aproximava do corpo da mulher caída.

– Ela está respirando, mas com dificuldades. Sr. Palmer ajude-me a colocá-la deitada sobre a mesa.

O Xerife segurava a senhora Frings pelos ombros com cuidado para não ferir o pescoço, enquanto Steve a segurava pelas pernas.

– Quando eu contar até três nós a levantamos. – disse o xerife – Um… dois… três…

Tão logo a senhora Frings estava acomodada sobre a mesa, seu marido entrava pela porta que dava acesso à cozinha.

– O que aconteceu aqui? – perguntava Phillip.

– Estávamos conversando na sala quando ouvimos o barulho de vidro quebrando doutor. Quando chegamos aqui sua esposa estava caída sobre os cacos da prateleira de vidro. – respondeu Steve.

– Exatamente. – confirmou o xerife.

– Muito bem então… Por favor me dêem espaço. Vou precisar de pano limpo e água para limpar os ferimentos.

– Geremy providencie o que o doutor precisa. – ordenou Steve.

– Sim senhor.

O xerife LeBau apenas observava a cena que passava diante de seus olhos, quando por fim ele reparou que o piso estava arranhado.

– Meu bom doutor eu tenho uma teoria… Se me permite… – diz o xerife se aproximando das pernas da esposa, causando um imenso constrangimento.

– Mas o que o senhor pensa que está fazendo, xerife? – diz indignado o doutor.

Ignorando o que o médico falava o xerife levanta um pouco o vestido da senhora Frings o suficiente para ver que o sapato havia quebrado seu salto.

– Como pensei. A senhora Frings caminhava pela sala de jantar seguindo para a sala de leitura, quando seu sapato prendeu no chão, ela fez força para se soltar, quebrando o salto o que ocasionou seu desequilíbrio e posterior queda. Nesta queda ela bateu com sua cabeça na prateleira que quebra com o impacto. Causando o ferimento na cabeça.

O xerife que enquanto falava encenava sua teoria nem percebera que o Sr. Fisher havia chegado ao exato momento em que ele olhava para o sapado da senhora Frings.

– Impressionante sua capacidade de dedução, xerife. Mas o que ocorreu fora tão grave para o senhor já estar aqui em minha casa? – perguntou aplaudindo Thomas.

– Sr. Fisher… Não, não vim por causa do acidente com a esposa do doutor. Mas já estava aqui quando ocorrera. Vim até aqui, pois tenho algumas perguntas para fazer ao senhor.

– Irei responder a todas assim que souber qual o estado de minha futura sogra. – disse Thomas enfatizando a palavra sogra.

A revelação pega o xerife de surpresa, pois ele sonhava em desposar a filha dos Frings.

– Marta está bem, filho. Foi só o susto, disto tudo irá sobrar apenas uma leve cicatriz. – informou Phillip. – Pode ficar tranqüilo.

– Muito melhor então. Pois bem xerife, por favor, me acompanhe até meu escritório. E Steve, por favor, acomode a senhora Frings num quarto para que possa se restabelecer.

Vinda da escuridão – parte 17

XVII

Steve e o doutor Frings fumavam um charuto na varanda da mansão enquanto conversavam sobre vários assuntos quando o mordomo Geremy, um haitiano forte com seus 1,85m de altura, mas de movimentos suavex e discreto, recém contratado por Thomas para cuidar da criadagem, se aproxima dos dois rapidamente com um olhar preocupado.

– Meu bom doutor Frings, parece que a cidade novamente sofre da febre. O senhor como um homem da ciência saberia me dizer qual motivo dessa nova epidemia? Até uns anos atrás nosso maior inimigo eram os crocodilos, agora estas doenças que matam vários de nossos cidadãos.  – falava Steve ao bom doutor.

– Mestre Palmer – interrompia o mordomo ao se dirigir a Steve. – O xerife do condado está à procura de Mestre Fisher. Mas mestre Fisher se encontra caminhando pela propriedade com a filha do bom doutor como sabem. E o xerife aparentemente está muito agitado, senhor.

– Geremy, avise ao xerife que estarei recebendo-o em poucos instantes. – responde Steve ao mordomo.  – Me perdoe doutor, mas as circunstâncias exigem que me ausente por alguns instantes. Se me permite? – diz Steve ao se levantar.

– Ora, mas é claro Steve! Eu irei aproveitar e esticarei um pouco minhas pernas. Vou procurar por aqueles dois jovens! – também se levantando.

Os dois homens que se despediam seguem em suas direções opostas.

Steve entra na sala e vê o Xerife Jonas Lebeau, jovem um pouco mais velho que Thomas, ele se vestia como os xerifes que viviam no centro-oeste, e mostrava sua estrela de xerife com orgulho e mantinha o os cabelos na altura dos ombros desgrenhados, marcados pelo chapéu apertado na cabeça, e um princípio de bigode que contornava a parte superior dos lábios, parado de costas para a entrada pela qual vinha olhando pela janela que dava visão a entrada da mansão.

– Me desculpe fazê-lo esperar Xerife LeBeau. – diz Steve ao entrar na sala de visitas.

– Senhor Palmer. Vim à procura de seu sócio, o senhor Fisher. Poderia me levar até ele? – respondeu impassível o Xerife Jonas LeBeau.

– Os empregados já estão à sua procura. Mas o senhor poderia me antecipar o que está acontecendo? Aconteceu algo na cidade com nossos negócios, xerife?

– Não posso antecipar nada senhor Palmer, mas não se preocupe não há nada de errado na cidade. Tenho apenas que fazer algumas perguntas ao seu sócio.

– Me desculpe xerife, mas Thomas está sendo investigado por alguma coisa?

– Ele deveria?

– Claro que não. Mas como o senhor não explicou ainda o que deseja com Thomas, me parece que ele é suspeito de alguma coisa.

– Volto a lhe dizer senhor Palmer. Não posso lhe contar nada antes de falar com o senhor Thomas.

– Está certo então xerife. Deseja beber alguma coisa enquanto esperamos então pela chegada de Thomas?

– Aceitaria sim um bom scoth sem gelo.


%d blogueiros gostam disto: