Vinda da Escuridão – partes 23 e 24

XXIII

Steve descia do automóvel e seguia a passos decididos em direção a casa principal enquanto os serviçais tratavam de pegar suas malas e levar para seu quarto.  No final do caminho de pedras que levava para a varanda ele muda a sua direção e começa a circundar a casa.

Steve seguia pela propriedade já chegando aos campos sem nem ao menos olhar para trás nem falar com nenhum dos empregados. Ele caminhou até chegar a um pequeno lago que nos dias de calor muitos dos empregados usavam para se refrescar no final do dia.

Steve descalçou os sapatos e as meias, dobrou a calça até a altura dos joelhos, pousou seu terno e gravata sobre os sapatos e entrou caminhando no lago até a água ficar-lhe pela metade das canelas. Então ele se voltou sua atenção para a casa e ficou a observando por alguns minutos ali parado.

Steve mais uma vez se certificou de que estava a sós e então seguiu caminhando para dentro do lago. Até que a água cobriu-lhe todo. Deixando pelo caminho que fizera uma mancha negra como piche.

M’Thulu caminhava pela fazenda coletando algumas flores, em especial a procura de margaridas as preferidas de Amanda, para decorar a casa e o quarto dos noivos. Aqueles eram os últimos detalhes, ele havia deixado para fazê-lo quando estivesse faltando pouco para o casamento, para que as flores não murchassem.

Enquanto voltava para a casa grande M’Thulu via que o Sr. Steve estava a sós no lago e caminhava para o fundo. Ele não sabia o porquê, mas quando viu o Sr. Steve ali sentiu um frio percorrer-lhe toda a espinha então ao reparar que o homem não retornava a tona após um tempo correu em direção ao lago. Ao chegar ao lago M’Thulu não via nada além das plácidas águas transparentes do lago.

Preocupado com Steve, M’Thulu mergulhou no lago a sua procura. M’Thulu intercalava braçadas e gritos chamando por Steve. De repente M’Thulu, começou a sentir a água mais pesada e reparou que tinha de fazer mais força para conseguir nadar.

Ele olhou para os braços e estavam cobertos de uma substância negra como piche. E aquilo parecia que fazia resistência as suas braçadas. Tomado pelo susto M’Thulu começou a nadar em direção a margem. Quanto mais nadava mais sentia que suas forças acabavam ele já conseguia ver a cesta com as flores que acabara de colher quando sentiu algo puxando suas pernas.

M’Thulu tentava se soltar mas aquele líquido negro viscoso entrava por suas narinas e boca deixando um grito mudo enquanto o levava para o fundo do lago.

XXIV

Amanda era penteada pela mãe enquanto a Sra. Macarty a ajudava a vestir seu vestido de noiva e fazia os últimos ajustes.

– Vamos Amanda! Encolha essa barriga! – dizia Sra. Macarty enquanto puxava o espatilho.

– Ai! – gritava Amanda.

– Pronto está amarrado!

– Vamos filha, não se mexa tanto!  Assim não conseguiremos terminar de arrumá-la para o seu casamento!

Neste momento a esposa do Coronel Andrew Jackson, Rachel Jackson entrava pela porta do quarto onde as mulheres arrumavam a noiva.

– Meu Deus! Como Amanda está linda! – exclamou Rachel ao entrar. – Marta, sua filha está parecendo uma princesa dos contos infantis!

– Ora Rachel! Venha aqui ajudar com isso. – respondeu Marta ainda arrumando o penteado da filha. – Fique quieta Amanda!

As mulheres arrumavam a noiva enquanto nos jardins da Mansão Fisher alguns dos membros mais influentes do estado se confraternizavam. Facilmente se encontrava o Coronel Andrew Jackson, herói na Batalha de Nova Orleans, com suas protuberantes sobrancelhas, conversando com o prefeito Augustin de Macarty, John Caldwell Calhoun, o Dr. Luís LaLaurie e o pai da noiva, tratando de assuntos políticos. Em outro lugar do jardim estavam os irmãos Lafitte, Steve Palmer, o xerife Lebeau e James Bowie.

Assim tudo corria tranquilamente, quando o noivo Thomas Fisher chegava no local trajando uma impecável casaca completa, sua cartola e abotoaduras com a mesma pirâmide da nota de um dólar, acompanhado pelo advogado Martin van Buren.

– Obrigado Sr. Van Buren pelas abotoaduras. – disse Fisher.

– Ora Sr. Fisher, é uma honra ter o senhor como um membro de nosso clube, que já conta com o coronel Jackson dentre outros.

– Como disse senhor é uma honra para mim.

– E seu irmão Sr. Fisher ele nos honrará com sua presença?

– Infelizmente meu irmão não poderá comparecer. Ele recentemente está numa viagem até a capital. Mas não tardará a estar conosco em breve. Agora senhor se me devemos nos posicionar para o início da cerimônia. Afinal és meu padrinho e amigo de velha data de meu pai.

O velho advogado concorda com um leve aceno com a cabeça e segue com Thomas e tomam suas posições.

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