Bate-papo M&D e Maria do Carmo Zanini (Devir Brasil) – Expectativas para “O Um Anel”

Uma noticia muito bacana para quem acompanha o blog do M&D.

 Como nós noticiamos aqui, na sexta-feira passada (24/08) a editora da Devir Brasil, Maria do Carmo Zanini anunciou através de seu twitter e facebook novidades sobre a versão brasileira do RPG The One Ring que terá o título de “Um Anel: Aventuras além do Limiar do Ermo”

Pois bem, com objetivo de manter a todos bem informados, nós entramos em contato diretamente com a Maria do Carmo Zanini e adivinhem só…

Conseguimos uma entrevista, um bate-papo exclusivo para o M&D, falando de RPGista para RPGista. :D

Isso mesmo gente!! A Maria do Carmo é bacanérrima e respondeu as perguntas com a maior boa vontade… Mas vamos parar com a enrolação que vocês devem estar ansiosos por ler o conteúdo deste bate papo, não é mesmo

Para ficar não ficar duvidas:

– Perguntas M&D em preto

– Respostas Maria do Carmo Zanini em azul

(M&D) Qual a expectativa da Srª e da Devir Brasil com relação ao lançamento desta versão nacional para o One Ring? 

(Maria do Carmo) Esperamos que O Um Anel seja um grande sucesso, e não só por causa da proximidade do lançamento do primeiro filme da trilogia O hobbit. Acreditamos que OUA será bem-sucedido simplesmente porque é ótimo. Estamos falando de um RPG de regras simples e claras, um jogo dinâmico e, acima de tudo, absolutamente fiel aos temas e à atmosfera da Terra-média. Suas regras reforçam essa temática o tempo todo.

Também estamos apostando no novo perfil do RPGista brasileiro: jovem adulto, parte da população economicamente ativa e disposto a investir em produtos de qualidade. 

(M&D)  Falando do trabalho realizado na tradução do livro. Foi levada em consideração a Obra Tolkiniana, já que a versão em inglês é a mais fiel nesse aspecto. Então houve nesse sentido uma pesquisa nos livros O Silmarillion, O Hobbit e de O Senhor dos Anéis?

(Maria do Carmo) Sim. O texto original se inspira o tempo todo em passagens das obras terramedianas de Tolkien. Consultamos várias fontes em português e tomamos o cuidado, por exemplo, de traduzir “Healing Hands” por “Mãos que Curam”, como aparece em O retorno do rei. Vejam, por exemplo, este trecho da página de créditos de OUA:

“Para não causar estranhamentos ao leitor brasileiro, todos os nomes próprios, termos  e expressões associados à Terra-média e as citações que remetem à obra de J. R. R. Tolkien seguem o que foi estabelecido em O hobbit, O Senhor dos Anéis e As aventuras de Tom Bombadil, publicados no Brasil pela Martins/Martins Fontes. As traduções são de Lenita Maria Rimoli Esteves, Almiro Pisetta, Ronald Eduard Kyrmse e William Lagos.”

(M&D)  Vi no seu face que a Sophisticated Games aprovou integralmente a versão brasileira de O Um Anel e que a gráfica já está agendada. Existe alguma presisão de data para o lançamento?

(Maria do Carmo) Meados ou fins de setembro, mais provavelmente. Mais tardar, começo de outubro. 

(M&D) Já existe um projeto quanto a tradução do suplemento The One Ring: Tales from Wilderland?

(Maria do Carmo) Mandei hoje cedo um email para a Sophisticated Games a respeito de Tales from Wilderland e o Loremaster’s Screen (o escudo do Mestre, que também inclui uma guia de Esgaroth, a Cidade do Lago).

(M&D) Outros sistemas anteriores que não eram tão fiéis a mitologia do Tolkien pecavam na construção do personagem principalmente o título anterior (Senhor dos Aneis RPG) era muito confuso nesse aspecto o que também dificultava bastante a construção do personagem. O Um Anel é mais fácil nessa parte?

(Maria do Carmo) Eu acho O Senhor dos Anéis RPG um bom jogo, considerando o momento em que foi lançado. As regras para batalhas em massa, por exemplo, sempre me pareceram interessantes e criativas. Na minha opinião, o que talvez desestimulasse um pouco o RPGista médio a abraçar o sistema CODA fosse a indefinição do projeto em relação a dois polos: 1. fidelidade ao cenário; 2. jogabilidade. Por um lado, o CODA, ao colocar os elfos num patamar mais alto, pretendia manter-se fiel à Terra-média, onde os altos-elfos são quase semideuses, mas era o tipo de coisa que levava os jogadores mais competitivistas a reclamar que não valia a pena jogar com outras raças. Por outro lado, o CODA forçava um pouco a verossimilhança ao permitir uma ordem de mágicos.

Pelo que vi, O Um Anel não sofre com essa indefinição. É fiel à Terra-média, e essa fidelidade parece nortear suas decisões em relação à jogabilidade. Talvez por isso tenha escolhido como uma das culturas heroicas (“raças”) os elfos da floresta, não tão poderosos ou fora de escala como os sindar e os noldor.

A criação de personagens é rápida, não exige muitas decisões, mas, mesmo assim, permite a personalização, ao gosto do jogador. Você escolhe uma das culturas heroicas, e isso já determina os índices básicos de várias características. Daí em diante, suas escolhas de atributos preferenciais, antecedentes, perícias com armas, virtudes e recompensas vão individualizar o personagem, de maneira que cinco anões criados na mesa raramente serão absolutamente iguais uns aos outros.

(M&D) Um medo que os jogadores tem é com o sistema de regras do jogo. Como o “Um Anel” tem o seu próprio sistema de regras em que ele difere do tão utilizado sistema d20?

(Maria do Carmo) Eu diria que o sistema de OUA tem pouca coisa em comum com o d20.

O sistema d20 foi criado e aperfeiçoado para fazer uma coisa: enfrentar e derrotar monstros e usar o tesouro das criaturas derrotadas para que o grupo de personagens se torne ainda melhor em enfrentar e derrotar monstros. Não há nada de errado ou ruim nisso. O d20 faz muito bem o que se propôs a fazer desde o início e é divertidíssimo.

O Um Anel foi criado com outra intenção. A ideia é que a cada lance, sessão, história ou campanha de OUA, os jogadores sintam que seus personagem realmente fazem parte da Terra-média de Tolkien. A grande maioria das jogadas é resolvida com as perícias comuns ou perícias com armas, mas as características mais importantes do jogo são Valor, Sabedoria, Esperança e Resistência, e também a parada de Sociedade, que é coletiva. Assim como nas obras de Tolkien, os aventureiros têm de lutar o tempo todo contra o cansaço, a desesperança e a influência perversa da Sombra. O Tesouro que se encontra é usado para aumentar o Prestígio do personagem, o que ajuda a equipá-lo melhor, mas não é uma necessidade do jogo. Os encontros com personagens do Mestre importantes e as viagens pela Terra-média recebem tratamento diferenciado. O combate é ágil e rápido, tem maleabilidade tática, mas a estratégia não é o foco principal, como é o caso do d20.

(M&D) Também no seu face vi que a Srª joga RPG. Falando para os jogadores novatos, como a Srª avalia a mecânica, a jogabilidade de O Um Anel?

(Maria do Carmo) As regras são elegantes e criativas, principalmente as do combate. É muito fácil pegar o jeito da coisa. A iniciativa, por exemplo, não é individual. Age primeiro o Mestre ou a comitiva (os jogadores). Os personagens assumem posições de combate: vanguarda, aberta, defensiva e retaguarda. As posições determinam a sequência em que cada personagem agirá no turno dos jogadores e pode ser alterada a cada rodada. Como vocês podem ver, não é necessário jogar iniciativa a cada rodada e o personagem não passa o combate inteiro preso a um número. Simples e maleável.

As regras dos encontros não combativos talvez sejam novidade para muitos jogadores, pois a narrativa passa a ser compartilhada com eles nesses momentos. E as decisões são negociadas na mesa. Por exemplo, durante um encontro importante, há um número máximo de jogadas nos quais o grupo pode fracassar, por isso é preciso tomar muito cuidado. Antes de jogar os dados, o jogador pode invocar um aspecto do personagem (coisas que ele sabe fazer ou detalhes de sua personalidade, como Navegação ou Desconfiado) para pedir um sucesso automático ao Mestre. No entanto, só vai conseguir esse sucesso automático se todos na mesa, e não só o Mestre, concordarem que ele está propondo um bom uso do aspecto invocado. Quer ganhe o sucesso ou faça a jogada e seja bem-sucedido, caberá ao jogador narrar como foi que o personagem conseguiu o que queria. O Mestre narra o resultado do encontro quando o jogador fracassa.

Minha opinião como RPGista é que OUA é uma delícia.

(M&D) Também no Face eu vi que há uma preocupação quanto a importação dos dados, qual seria o fato complicador nessa operação?

(Maria do Carmo) A imprevisibilidade das decisões dos agentes da alfândega. Tentamos sempre cumprir todos os requisitos legais para a importação de qualquer coisa, mas a alfândega às vezes parece mudar as regras no meio do jogo. Por isso, é sempre uma preocupação se as importações chegarão a tempo para um evento ou promoção. E, como planejamos uma edição em que os dados personalizados de O Um Anel são oferecidos como brinde, só poderemos lançá-la quando os dados chegarem.

(M&D) Como RPGista como a Srª vê os recentes anúncios de novos títulos como o D&D 5ed e o Star Wars Edge of the Empire?

(Maria do Carmo) Bom, eu sou fã de D&D 4E. Dentre as edições que conheci, a 4E me pareceu a mais bem projetada e também a mais fiel à expectativa que o jogador médio de D&D tem do jogo. Por isso, recebi a notícia sobre o D&D Next com cautela e uma certa frustração, principalmente quando a WotC afirmou que pretendia criar um jogo que agradasse aos fãs de todas as edições. No entanto, à medida que foram surgindo outras notícias e os playtests chegaram, comecei a ver que o plano de recriar o D&D em módulos não só era factível como tinha um bom potencial. Hoje aguardo com expectativa o D&D Next e torço pela publicação de um módulo tático que me permita reproduzir na mesa a sensação da 4E, com seus aspectos táticos e estratégicos.

Eu também gosto bastante do Star Wars Saga. Tenho todos os livros da linha. O sistema é bom, mas ainda não me parece ideal para lidar com os temas de SW. Estou curiosa para ver o que a Fantasy Flight fez.

 

 (M&D) Nós do Masmorras & Dragões teríamos um pedido será que a Devir poderia incluir nos seus planos títulos como o warhammer 40k?

(Maria do Carmo) A informação que eu tenho é de que a licença para traduzir Warhammer 40k é muito, muito cara. Infelizmente, hoje não temos com produzir esse material.

(M&D) Muito obrigado pela possibilidade do contato Srª Maria do Carmo Zanini. E eu gostaria de agradecer em nome de todos os membros do Fórum Masmorras & Dragões ( http://www.masmorrasedragoes.com.br/ ) e do Blog Masmorras & Dragões ( https://masmorrasedragoes.wordpress.com/).

(Maria do Carmo) Eu é que agradeço. Foi um prazer.

E então galera, esperamos que vocês tenham gostado desta matéria, desde bate-papo que conseguimos com Maria do Carmo Zanini, editora da Devir Brasil, exclusivo para nós do M&D!

8 Responses to Bate-papo M&D e Maria do Carmo Zanini (Devir Brasil) – Expectativas para “O Um Anel”

  1. Allian disse:

    Puxa, bem legal a materia. e mais ainda, bom saber que temos uma editora interessada no produto cuidando do andamento dessa localização. Realmente pra mim era extremamente dificil me entender com o Senhor dos aneis RPG, por ser confuso. estou ancioso para testar o Um Anel =)

  2. Gun Hazard disse:

    Maria do Carmo. Virei seu fã… Sempre batia na tecla que a Devir no passado por vezes dava pouca atenção aos seus potenciais, ou já clientes e que isso para uma empresa era um tiro no pé. Por isso me surpreendi com a entrevista… Muito bacana.

    Sobre o que foi tratado na entrevista é algo interessante pois há alguns jogadores e mestres que tentam sustentar que “dá para se jogar qualquer coisa com qualquer coisa!”, isso é muito relativo pois, para bater um prego na parede eu prefiro usar um martelo em vez de improvisar com um alicate.

    Para quem não tinha acompanhado o lançamento do um Anel lá fora isso pode ter passado desapercebido, mas o legal é que o sistema é muito bem focado no tipo de aventura que os contos de Tolkien (principalmente O Hobbit), sugerem.

    E isso ficou evidente nesta entrevista.

    Parabéns para a Devir e que venha o livro.

  3. Queria saber deles o que aconteceu com o cenário de Vampiro (old)…
    Mas sei que é pergunta jogada ao vento… =/

  4. Gun Hazard disse:

    Vampiro A Máscara? Ele terminou em 2004… Não tava sabendo?

  5. Pingback: Prévia de “O Um Anel” « Masmorras & Dragoes

  6. Pingback: Devir libera prévia de “O Um Anel Aventuras Além do Limiar do Ermo” « Masmorras & Dragoes

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: