O que eu aprendi jogando a 5ª Ed. de D&D

Nota do Tradutor: O texto, “What I Learned Running D&D 5e from Level 1 to 20”, foi publicado originalmente por Mike Shea, em seu site Sly Flourish, em 04/06/2016. A tradução para a Língua Portuguesa foi realizada com consentimento do autor, e os diretos da obra são reservados.

Desde o lançamento da 5ª Edição de Dungeons & Dragons, eu tive a oportunidade de participar de uma campanha iniciada no nível 1 até o nível 20. Durante essa campanha, nós jogamos as duas aventuras “Tyranny of Dragons”, “Hoard of the Dragon Queen” e “Rise of Tiamat”, e continuamos através da região de Sword Coast, nas profundezas de Nine Hells, onde nossos heróis enfrentaram inimigos poderosos incluindo alguns que serão vistos no próximo lançamento da Kobold Press, “Tome of Beasts”. Finalmente, ao chegar ao nível 20, nossos personagens estiveram frente a frente com a todo-poderosa deusa dos dragões em sua própria imagem, Tiamat.

Esta experiência nos entregou uma visão bastante ampla da 5ª Ed. de D&D, muito melhor do que a primeira impressão que tivemos no lançamento do jogo. Antes nós nos baseávamos apenas suposições e hipóteses. Hoje, temos a experiência de jogo. Ao longo desse artigo vamos discutir nossas observações ao jogar uma campanha completa, iniciada no nível 1 e indo até o nível 20. Comecemos.

Recapturando a Essência de Dungeons & Dragons

Muita coisa foi dita sobre o retorno ao D&D “tradicional” com o lançamento da 5ª Ed. Após jogar uma campanha completa, esse sentimento ficou claro para nós. Desde o princípio até os últimos momentos, a nova versão de D&D pareceu apenas com D&D. Hoje em dia existem várias opções para jogarmos uma partida de RPG, como Pathfinder, 13th Age, Fate Core, e Numunera. Todos esses sistemas são ótimos mas quando se trata de capturar a essência do D&D original, a 5ª Ed. faz do começo ao fim.

Mesmo após um ano jogando a mesma campanha, é um prazer pegar o Livro do Jogador, o Guia do Mestre e o Manual dos Monstros, e apenas jogar D&D.

A Morte do Superman

Do ponto de vista dos nossos jogadores, uma das observações mais pertinentes foi de que mesmo nos níveis mais altos, os Personagens de Jogadores (PJs) não parecem ser tão poderosos quanto numa partida de D&D 4e ou 13th Age. Muito disso deve-se a bastante discutida matemática plana do D&D, mas um conjunto mais simplificado de opções e uma progressão de itens mágicos mais refinada também contribuem nesse sentido.

É possível distribuir seus pontos de modo a privilegiar uma área em detrimento de outra, para obter valores altos de bônus de Ataque ou Classe de Armadura. Entretanto, diferentemente de outras edições, esses personagens melhorados provavelmente terão grandes pontos fracos expostos. Um combatente com CA 25 será imbatível no combate corpo a corpo, porém qualquer magia que exija um teste de resistência baseado em Sabedoria tende a derrubá-lo com facilidade. Esses pontos fracos tornam-se cada vez mais gritantes conforme os personagens forem avançando níveis e seus valores de modificadores para testes de resistência não evoluírem junto. Um teste de resistência no nível 2 com CD 11 se tornará, no nível 18, um teste com CD 21, e um bônus do personagem de +2 nesse momento se torna muito menos efetivo do que no começo

Na 5ª Ed. de D&D, os PJs não são mais super-heróis, mas apenas simples aventureiros. Alguns jogadores não vão gostar dessa transição.

Picos de Poder e Imperfeições

O D&D em sua 5ª edição não é um jogo uniforme. Não é perfeitamente equilibrado. Durante a sua concepção, os designers deixaram claro que uniformidade não era o que eles iriam apresentar ao final. A Bola de Fogo, eles explicaram, é simplesmente mais poderosa do que várias outras magias de mesmo nível. Era para ser desequilibrado porque isso também pode ser divertido. Existem vários pontos desiguais e isso pode levar muitos Mestres a loucura. Algumas magias, habilidades e monstros são mais poderosos do que outros em qualquer nível ou dificuldade. Podemos reclamar sobre isso ou podemos aceitar que esse desequilíbrio trás ao jogo um quê de imprevisibilidade. Você não sabe como será uma batalha porque existe a possibilidade de que o monstro que escolhemos ser demais para os personagens, ou um jogador pode devastar um combate com uma magia de Círculo da Morte bem utilizada.

Existe uma enorme quantidade de exemplos desses picos de poder e imperfeições. Conjurar uma magia de banimento contra um par de demônios é equivalente ao um dano de 300 pontos em um único teste falho. Uma Banshee, monstro de Nível de Dificuldade 4, pode ser um desafio perigoso para um grupo de PJs com níveis altos, pois seu Grito pode subtrair qualquer quantidade de Pontos de Vida no caso do alvo falhar em seu teste de resistência. O Vampiro e o Beholder são ambos monstros com Nível de Dificuldade 11, entretanto podem diferir bastante em sua dificuldade real. O raio óptico do Beholder causa 45 pontos de dano em um único ataque enquanto o Vampiro causa 8 pontos com um tapa. Muralhas de Força e Gaiolas de Força podem aprisionar qualquer criatura pequena o suficiente para caber dentro delas sem a necessidade de um teste e não existe maneira de contornar isso. São exemplos do que pode ou não ser feito.

E você sabe de uma coisa? Não há problemas com essas “apelações”. O D&D é assim mesmo e esse tipo de desequilíbrio faz parte a pelo menos quatro décadas.

A escolha de aceitar ou não, cabe a nós. Você se sente confortável com essas imperfeições? Em caso de uma resposta negativa, existem muitos outros sistemas para se jogar RPG. Mas se a sua resposta for SIM, aceite isso, ou até mesmo abrace o desequilíbrio e divirta-se.

De vez em quando todas essas falhas podem levar a histórias incríveis. Aqui vai um exemplo:

No nível 14, nossos heróis de Sword Coast desbravaram os Cofres Amaldiçoados dos Magos Vermelhos de Thay (Doom Vaults of the Red Wizards of Thay). Lá dentro, em uma sala com tanque estranho, ele enfrentaram um Abolete. Nosso astuto bruxo aprisionou a criatura em uma gaiola de energia e o resto do grupo começou a discutir como era melhor matá-lo com ataques a distância.

Então o Abolete começou a falar com eles. Ele contou como tinha sido feito prisioneiro pelos Magos Vermelhos. Contou como a Soberania dos seus pares falhou contra Tiamat. Contou que muito poder poderia ser entregue ao grupo caso eles se juntassem a Soberania. Ele sabia coisas sobre Tiamat e seu culto que mais ninguém no multiverso sabia. E tudo o que eles precisavam era se juntar a Soberania e todos os seus segredos seriam deles. Dois personagens concordaram e avançaram em direção aos tentáculos!

O Abolete não estava mentindo no final das contas. Os PJs tiveram muitas vantagens fazendo parte da Soberania, incluindo um Machado Matador de Dragões. A Soberania também se aproveitou da situação. E isso mostra como um Abolete dentro de uma gaiola de energia venceu um combate – apenas com uma boa conversa.

As Regras para Criação de Encontros São Ruins

De todos os detalhes irritantes da 5ª Edição, as regras de criação de encontros me causaram os maiores dores de cabeça durante toda a campanha. Essas regras são complicadas demais e não funcionam mesmo quando você decide se incomodar em seguí-las. Como eu disse anteriormente, monstros de mesmo nível de dificuldade podem diferir em termos de ameaça real. Considere as inúmeras discussões sobre o total de mortes causadas grupo por conta de uma invasão de ratazanas no começo da aventura “Hoard of the Dragon Queen”.

Com a evolução dos PJs, os combates começam a se tornar muito mais fáceis do que as regras de criação de encontros nos levam a crer. Particularmente, adicionar um PJ ou outro a um grupo com quatro ou mais participantes aumenta muito o poder daquele grupo. As regras tentam levar isso em conta porém não são muito eficientes em resolver essa questão.

Além de não serem bons indicadores de dificuldade de um combate, as regras padrão são muito pesadas.

A construção de encontros leva em conta uma mistura de dois fatores, o valor de pontos de experiência de um monstro e o número de monstros em um combate. Você começa com um valor mínimo de experiência baseado no nível de cada jogador e do grupo todo. Você então gasta esses pontos de experiência em monstros que você queria em combate. Feito isso, usa-se um multiplicador de potencial no valor mínimo baseado no número de monstros. Isso pode mudar completamente o seu valor base, o que significa voltar ao começo e remover monstros ou alterar o tipo deles. Então seu multiplicador é alterado, e isso prossegue até você encontrar o equilíbrio entre o custo em pontos de experiência do monstro, o número deles em combate e o multiplicador baseado no número de monstros.

Definitivamente. Um. Pé. No. Saco.

Essas regras complicadas são corrigíveis e nós “mestres preguiçosos” temos algumas ferramentas que podem tornar nossas vidas mais fáceis. Primeiro, podemos utilizar o Kobold Fight Club para equilibrar nossos encontros através de fabulosos cálculos computacionais. A segunda opção é utilizar um sistema mais simples para elaborar encontros que imita conceitos de D&D 4e e 13th Age, igualando a quantidade e a força dos monstros com a força e poder de cada PJ engajado no combate.

Assim como toda versão anterior de D&D ou suas variantes, a construção de encontros se torna mais difícil conforme o nível dos personagens aumenta. Pelo fato de que algumas batalhas são contornadas com artimanhas mágicas, do tipo Gaiola de Força ou Banimento, você nunca sabe o quão difícil um combate pode ser. Se você for conservador, vai provavelmente assistir um massacre por parte dos jogadores. Se você preferir chutar o balde, as coisas podem ficar feias para os jogadores de uma maneira bem rápida.

Este é um problema perfeito para a Wizards of the Coast corrigir com um conjunto alternativo de regras para criação de encontros num artigo da Unearthed Arcana.

Melhorias nas Regras para Combates Narrativos

Além de regras melhores para construção de encontros, eu realmente gostaria que a 5ª Edição incluísse regras melhores para conduzir combates narrativos, que o ocorrem apenas no “Teatro da Mente”. Eu usei bastante esse recurso durante as nossas sessões e nunca ficou claro o suficiente para mim.

Medir 5 pés de distância em um jogo com Bolas de Fogo e Princípes-Demônios não é algo exatamente excitante. Uma vez que a 5ª Edição carrega a essência do D&D tradicional, é aceitável que o jogo não descarte o uso de distâncias precisas e faça disso o padrão.

Novamente, eu adoraria ver a Wizards of the Coast lançar um conjunto de regras opcionais para combates narrativos. Como escrevi anteriormente, parece trapaça quando ignoramos os quadrados de 5 pés de largura e toda vez que alguém evoca Toque Chocante inicia-se um caloroso debate sobre teorema de Pitágoras se não há um tabuleiro e um conjunto de miniaturas.

A página 249 no Guia do Mestre em inglês ajuda a definir a área de ação de magias mas não detalha o suficiente para facilitar a vida de Mestres e jogadores durante um combate puramente narrativo.

Esse assunto daria outro artigo fantástico para a Unearthed Arcana. Podemos usar também o Guia Sly Flourish para Combates Narrativos (em inglês), para nos orientar nesse período.

Algumas Considerações Finais

Conforme vamos chegando ao final desse texto, vou pontuar algumas observações sobre a nossa experiência ao jogar uma campanha completa de D&D 5ª Edição:

  • A 5ª Edição de D&D é desequilibrada por definição, mas tudo bem. Isso pode conduzir a histórias interessantes;
  • Nenhum monstro, por mais Legendary que ele seja, pode sobreviver sozinho a um grupo de PJs sem ser derrotado rapidamente. Até mesmo Tiamat precisa de um par de Lordes das Profundezas como guarda-costas;
  • Jogadores amam quando conseguem derrubar um grande vilão com apenas Enfraquecer o Intelecto. Não tire essa alegria deles, mas também não deixe que tenham a mesma facilidade sempre;
  • Por outro lado, os jogadores detestam quando seus personagens são surpreendidos com magias bobas como Enfraquecer o Intelecto ou Gaiola de Força. Use-as com parcimônia e dê a eles alguma maneira de lidar com isso;
  • Use regras simplificadas para criação de encontros e aceite que não será sempre que eles ocorrerão exatamente do jeito que você planejou;
  • Converse com os seus jogadores sobre como decidir os combates narrativos de modo que todos entendam como isso funciona. Teste o Guia do Combate Narrativo;
  • Não se preocupe com muitas recompensas em forma de itens mágicos. Atumament impede muitos dos abusos e um bom item mágico devolve aos jogadores a sensação de ser um super-herói.

É assim que você fica quando acerta um crítico com uma Espada Vorpal na deusa Tiamat. Quantas vezes na vida você fez isso?

Juntando os Amigos

No fim das contas, o verdadeiro valor de uma partida de RPG é sua habilidade de juntar um grupo de amigos, compartilhar uma histórica fantástica e proporcionar diversão. Do primeiro nível ao último, a 5ª Edição de Dungeons & Dragons nos trouxe uma campanha maravilhosa, várias risadas e uma grande história para contar e relembrar. Tivemos uma jornada épica com profundos relatos pessoais, batalhas que entraram para a história e momentos inigualáveis que lembraremos para sempre. Depois de jogar uma campanha completa de D&D 5ª Edição por vinte níveis, eu posso afirmar com certeza que eu amo esse jogo. Mal posso esperar para tentar novamente.

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D&D Next a todo vapor! – Parte 1

Há cerca de quinze dias atrás, em uma postagem aqui do blog, comentamos sobre algumas novidades que foram anunciadas pela Wizards durante a Gen Con deste ano para a fase de playtest do novo D&D Next.

Pois bem, e ao fazermos esta publicação, novidades a parte, sentimos que ainda nos faltava falar algo sobre este assunto, e não mais que de repente ficou óbvio para nós qual era o problema… Nós estamos participando do playtest e ainda não publicamos a nossa opinião sobre esta nova versão.

E então nesta ocasião ficamos de retornar em outra oportunidade para falar mais sobre o assunto.

Como promessa para nós é dívida… A oportunidade chegou!

E então, quer conhecer mais sobre o que esta sendo o D&D Next até o momento e o que nós, que estamos participando desta fase de teste estamos achando?

Então se ajeite na cadeira e boa leitura… M&D e playtest a todo vapor!

Há algumas semanas, no dia vinte e quatro de agosto, chegou na minha caixa de e-mail mais uma mensagem da equipe da Wizards que está moldando o que será a nova cara de um dos jogos mais famosos de todos os tempos: o Dungeon & Dragons. Como muitas outras antes desta, o e-mail continha uma carta com agradecimentos a todos os jogadores que tem participado do playtest que está ocorrendo por todo o mundo, assim como pedidos de opiniões sobre o material que tem sido publicado até agora. Este e-mail marca um ponto importante dessa fase de testes, pois não só os criadores liberaram acesso as engrenagens internas da criação de personagens, que é um dos pontos mais icônicos do D&D, como também soltaram duas novas classes: o Feiticeiro (Sorcerer) e o Bruxo (Warlock). Com isso finalmente temos um pouco mais de noção da cara que os desenvolvedores querem para o D&D Next.

Portanto, está na hora de respirar fundo e começarmos a olhar para a grande figura.

(A tradução de diversos termos abaixo foi usado por conveniência e não são oficiais)

Afinal, o que fizeram com o D&D?

O D&D que todos conhecemos ainda está no coração do D&D Next, talvez até mais do que antes. Entre todas as edições até o momento, jogadores da 4ª Edição talvez sintam um pouco mais perdidos, uma vez que entre as edições 3.5 e 4.0 houve uma quebra forte de muitos paradigmas, se distanciando dos seus predecessores e tambem do seu antecessor. A nova edição tem forte caracteristica de herança, tomando somente o melhor de cada edição em um sistema bem integrado. Você continua rolando 1d20 para escalar uma pedra, e o mesmo 1d20 para acertar um orc. Você ainda rola um dado de dano dependendo da sua arma ou da magia usada.

Então aonde estão as novidades?

  • Advantage e Disadvantage: O novo sistema de bônus e penalidades no D&D toma uma cara nova com o sistema de Advantage. em vez de incontáveis bônus de terreno, circunstancias e outros tantos fatores, vários dos bônus no jogo foram unificados em uma forma simples e pratica. Caso você tenha advantage ou disadvantage, você lança 2 dados de 20 lados ao invés de um só. No caso de advantage, você pode pegar o melhor resultado, enquanto um jogador com disadvantage deve se contentar com o pior dado. E se você tiver ambas? Então você volta à marca de 1 único dado e seja o que for!
  • Pericias: O sistema de pericias foi completamente modificado! Não haverá mais uma tediosa lista de pericias para se preencher, em que a maioria nunca será usada. Agora, além do jogador poder escolher uma classe e uma raça, o jogador poderá escolher um background, que representa um pouco da sua vida passada e quem você é por traz da armadura de cota+2. A escolha do background irá refletir nas skills, conferindo +3 de bônus em 3 categorias de skill diferentes. Um personagem com background de soldado teria +3 em intimidação, percepção e sobrevivência enquanto um Padre teria diplomacia, sentir motivação e conhecimento religioso. E para as outras skills? Quer escalar um paredão ou empurrar uma pedra? Teste de força.  Convencer o guarda desinteressado? Teste de carisma. Nessa nova versão,  jogadores com bônus em pericia serão vitais para que o grupo possa avançar!
  • Ações em combate: Uma ação padrão, uma de movimento, uma ação menor, e mais outras tantas, correto? Nada disso! Os jogadores agora terão uma única ação para fazer qualquer coisa e uma ação para se mover, favorecendo partidas mais simples e dinâmicas. Conjurar uma magia, acertar um inimigo, se esquivar, se esconder, auxiliar um aliado, tudo custa uma ação, salvo raras exceções.
  • Furtividade: Ladinos serão presenteados com um sistema mais fácil e cômodo para cravar facas a torto e a direito ou para roubar a chave do minotauro alerta. O sistema se divide em:  1) O inimigo não consegue te ver de forma nenhuma e você quer se esconder? Você já está escondido! Ou 2) Existe uma chance de um ou mais oponentes te verem? Se você tiver um mínimo de cobertura (uma mureta baixa, uma sombra densa ou mesmo um barril) basta um teste de destreza. A partir desse ponto, seu teste de destreza vale como uma Classe de Dificuldade para testes de percepção de oponentes. Até que alguém te descubra (ou você parta parta para o ataque), você não precisa fazer mais nada. Um teste.
  • Morte: o sistema de morte será bem familiar para os jogadores da 4ª Edição. Quanto você chega a 0 ou menos pontos de vida você cai inconsciente e passa a fazer um “teste de morte” todo turno, que nada mais é do que um teste de constituição com CD 10, uma classe de dificuldade bem mais leniente do que anteriormente. Um acerto te rende um “sucesso” enquanto uma falha te rende 1d6 em pontos de dano, te jogando na casa dos pontos de vida negativos. Com 3 sucessos você estabiliza e fica for de perigo temporário. E se você for azarado? Se você chegar a um numero de pontos de vida negativos igual ao seu valor de constituição, é Game Over.
  • Descansos: novamente se inspirando na quarta edição, o D&D Next traz consigo o sistema de Descansos curtos e Descansos longos (Long e Sort Rest). Em um descanso curto, o jogador pode gastar um ou mais “dados de vida” (Hit die) junto com uma “carga” de um kit de cura (nota: clérigos sabem fazer kits de cura). O jogador então rola esses dados e adiciona o valor total na sua vida, sem ultrapassar o máximo. e qual é esse dado e quantos dados cada jogador tem? Dependerá da sua classe e do seu nível. Classes mais resistentes tem dados maiores enquanto aventureiros com nível maior tem uma reserva maior de dados de vida. E o Descanso longo? Nele você recupera todos os pontos de vida, dados de vida e habilidades que tem usos diários, inclusive preparação de magias para conjuradores, ficando pronto para um novo dia de combates.
  • Magias: é perceptível o cuidado que o D&D Next terá com magias para que conjuradores possam aproveitar o jogo sem roubarem a cena. Elas voltam a funcionar como eram antes do sistema de powers, usando magias por dia e magias preparadas. no entanto uma nova categoria de magias entra em vigor: as magias menores. Elas vão funcionar como as magias a vontade (“At-will”) presentes na quarta edição. Magias simples que conjuradores podem passar o dia todo conjurando sem se preocupar, não ocupando recursos. Adeus ao mago nível 1 com bestas de mão.
  • Rituais: uma nova mecânica para grupos passando um aperto, que poderia ser resolvido com uma magia que o mago ou clérigo do grupo já gastou ou esqueceu de preparar. Um conjurador agora pode conjurar uma magia mesmo sem tê-la preparado na forma de um ritual. Essa forma de conjuração gasta muito mais tempo e requer gasto de componentes caros no ritual, ou até mesmo um item especifico como um pedaço de giz e sinos para um ritual de alarme. Ao final do ritual, a magia toma efeito como se tivesse sido conjurada normalmente.

Estas são somente algumas das mudanças mais relevantes que vão surgindo ao longo do Playtest.

Recomendamos a todos que tenham interesse em participar da brincadeira que se inscrevam no  link: https://www.wizards.com/dnd/dndnext.aspx e aos que tem alguns pontinhos em Língua(Inglês), recomendamos que respondam os e-mails de feedback que vão aparecendo ao longo do playtest com suas criticas e opiniões para que possamos ter ainda muitas horas de jogo e diversão pela frente.

Aguardem mais novidades do D&D Next aqui no blog Masmorras & Dragões e não deixem de ler a parte 2 do artigo, onde iremos mostrar um pouco da nova cara do Clérigo, o Guerreiro e o Ladino!

 

RPG Dust Devils – Façam suas apostas!

Esqueçam os dados!!

Rpgistas saquem seus baralhos e preparem-se para o pôquer.

Dust Devils é um jogo de RPG com tema western já bem conhecido dos gringos americanos (desde 2002) mas que só agora ganhou uma versão traduzida para o português. O pré lançamento foi feito agora no mês de agosto e para quem nunca ouviu falar neste jogo da Editora Redbox vou tentar fazer um resumo dos personagens e da mecânica do jogo com base em alguns matérias que li na net.

Personagens:

Esqueçam os monstros, elfos e magos. Em Dust Devils todos os personagens são humanos e você pode escolher entre as celebres figuras do lendário velho oeste como pistoleiros, cowboys, homens da cavalaria, fazendeiros, xerifes, foras da lei, comanches, sioux, garotas do saloon, garimpeiros…
E sem duvida a maior batalha que os personagens enfrentarão será contra seus próprios Demônios, seus segredos obscuros, passados problemáticos e os piores vícios que atormentam suas vidas. Os “devils” são caracterizados por vícios, medos e segredos que os diferem das outras pessoas e que são obcessões que devem ser continuamente combatidas.

A questão continua sendo: “Atirar ou largar a arma?“, “É possível uma pessoa se redimir de um passado nebuloso?”, “O que leva uma pessoa a se tornar um herói no velho oeste?”

Cenário:

Claro, o bom e velho oeste americano. Porém até a versão anterior do jogo o cenário em si era fracamente descrito uma vez que a proposta do jogo era que os jogadores se baseassem nos filmes ou quadrinhos do estilo faroeste.
Mas uma coisa que muitos podem achar interessante é que Dust Devils apresenta cenários alternativos onde são abordados outros gêneros de ficção, como o Deathwish baseado em espionagens no estilo James Bond, o cenário Ronin, onde os personagens são Ronins no Japão feudal e que presam do dever acima de tudo e por ultimo tem o cenário Concrete Angels, no estilo Sin City, onde a cidade é sombria e a criminalidade predomina.

Mecânica de jogo:

Lembra que eu disse que era para esquecer os dados? Pois é…

O jogo não usa dados para resolução de suas cenas e sim pôquer. Hein??
Isso mesmo que você leu. Pôquer.

Cada personagem possui quatro atributos básicos, uma para cada naipe do baralho e são eles:

Hand (espadas) = aptidões físicas. Habilidades de uso das mãos, pernas ou corpo em geral
Eye (ouros) = percepção e raciocínio
Guts (paus) = resistência, saúde e sangue frio
Heart (copas) = charme e interação social

Além desses atributos básicos, cada personagem tem duas traits (características) descritivas como “rápido como o vento” e “feroz como um tigre” por exemplo. E ainda é necessário que escolham seus passados e presentes com base em frases simples que as definam.
Por último é determinado o “devil” que nada mais é do que o lado ruim de sua personalidade que cada um tenta esconder e contra a qual ele sempre luta e que geralmente marca seu passado, como por exemplo, assassino, mentiroso, ladrão, covarde, dentre outros.
Escolha bem o seu devil, pois em um momento critico este detalhe de sua personalidade que tanto tenta esconder poderá ser justamente o que salvara sua vida.

É hora da briga!

E é aqui justamente onde mora um dos grandes diferencias do jogo.

Esqueça a ação. Dust Devil baseia-se na resolução do conflito. Você não fará um teste para saber se você acertou o inimigo o teste é para saber se você venceu ou não o combate sem se importar muito com detalhes.

Se você vai conseguir ser bem sucedido ou não vai depender de sua mão de pôquer e as do Dealer (carteador, que faz o papel de mestre). E a quantidade de cartas de cada jogador será definida de acordo com seus atributos, passado, presente e devil. E este sistema também possui fichas de pôquer que podem ser usadas por cada jogador na tentativa de diminuir um possível dano ou mesmo providenciar uma retirada estratégica da cena.

Outro detalhe é que Dust Devils é um sistema de RPG de narrativa colaborativa. Na hora de uma resolução, quem quer que tenha a maior mão (carta de maior valor), descreve como a cena acontece, inclusive determinando o dano do lado perdedor. Um único teste pode realmente determinar toda uma cena.

Outra diferença é: Seu personagem vai morrer? Isso é inevitável?
Então é você mesmo que vai determinar como será sua morte, possibilitando assim um final épico.

Bom, essa foi uma descrição básica deste jogo levando em consideração as versões anteriormente lançadas e que segundo a própria Editora Redibox se manterão para esta nova versão tendo apenas alguns detalhes e cenários aprimorados.

Resta saber: Será que Dust Devil é realmente tão interessante quanto parece?

Midnight Chronicles – O Filme

Consegui assistir o filme do Midnight Chronicles este fim de semana, para quem não conhece  Midnight é um cenário de campanha para RPG que descreve um mundo oprimido por uma divindade que tenta dominar o mundo e os povos livre tentam resistir a esta dominação.

Um pouco sobre…

Para quem não entendeu vamos a inevitável comparação:

“Imagine o cenário de ‘O senhor dos Anéis’, agora imagine o que aconteceria se o Sauron tivesse VENCIDO a Guerra do Anel!”

De uma maneira simples esta é a explicação mais fácil de entender, as demais divindades para tentar punir Izrador o banem para o mundo de Aryth, mas com isso Izrador conseguiu bloquear o acesso das outras divindades para Aryth, resumindo, este mundo então ficou sozinho e indefeso junto com uma divindade maligna e tirana, legal isso da parte dos outros deuses, né?

Em função disso só temos uma religião, a da Sombra (Izrador), as raças livres, humanos, elfos e anões, lutaram contra o domínio da Sombra, mas após duas tentativas bem sucedidas, as raças livres perderam. Izrador então corrompeu 4 dos maiores heróis e os transformou em Night Kings (Um elfo, dois humanos e um dragão). Restam apenas poucos grupos de resistência como os Elfos em sua floresta impenetrável. A Sombra tem a seu serviço os Lagates, que são como Clérigos dele que servem como uma espécie de policia, e caçam os Channelers (usuários de magia, que por sinal é proibido)

O filme finalmente…

O filme conta a história do “Caçador” e do Legate Mag Klin. O Legate é enviado para a cidade de Blackweir para investigar o sumiço de um Legate e apurar a construção de Templo na cidade que estava muito atrasada, devido a prefeita corrupta que não queria um Legate próximo e desviava o dinheiro e manipulava o grupo do ‘Caçador’ avisando dos carregamentos para a construção do templo.

Enquanto isso alguns membros de uma Ordem Legate discutiam entre si algo sobre uma profecia que previa a vinda de um guerreiro capaz de fazer frente a Sombra.

O ponto Fortíssimo do filme são alguns dos personagens como por exemplo Mag Klin, Tosh Kamar, Chuzara, Caçador, a Prefeita, a assassina, entre outros. As exceções são o casal do filme Iana e o Gaelen que ficaram muito fracos comparados com os outros, tanto nas interpretações quanto na importância dos papéis

Os efeitos especiais são fracos, percebe-se por exemplo que as cidades são todas feitas em computador, e nada de locação ou coisas do tipo. Os Orcs tem mascaras de Latex, segundo minha esposa que dormiu a maior parte do filme são piores que as que se compra para o canaval ou haloween, mas não achei que fosse para tanto… A cena cômica fica para logo no comecinho quando um Orc vai soar um chifre em sinal de alerta, ele faz a maior pose, mas o som que sai é baixo e inexpressivo, o cômico é pelo fato que não era para ser cômico.

Resumindo…

O Filme é bom. Eu gostei, é realmente um baixo orçamento, mas não deixa a desejar por exemplo das produções para séries por exemplo.
A História é bacana, mas mexe muito com elementos do cenário, inclusive acredito que o filme esteja mais para um prólogo para ligar um arco do cenário, lembrando até mesmo um episódio piloto de uma série de TV.

A má noticia…

O Cenário do Midnight RPG me cativou logo de inicio, esta foi uma das razões para ver o filme. Se não me engano este Cenário chegou a ir para as finais no concurso que elegeu Eberron como cenário oficial da Wizards. Mas infelizmente o Cenário foi descontinuado pela Fantasy Flyght Games. E até agora não sei qual é o destino do cenário.

Site do filme: http://www.midnight-chronicles.com/

Fan-Site sobre o cenário: http://www.againsttheshadow.org/index.php

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