Tirinhas de RPG – Masmorras e Dragões

Então galera, depois de um tempo afastados do blog por motivos técnicos, estamos retomando as postagens e trazendo logo de cara uma novidade muito bacana para o pessoal que curte o blog do M&D.

Nós teremos tirinhas!

Isso mesmo galera, nós fizemos uma parceria com o dono do blog de tirinhas Dobradinha Comics, o desenhista Jrol Lima, e a partir de agora, uma vez por semana, ele ira desenhar e publicar uma tirinha exclusiva para o Masmorras e Dragões aqui no nosso blog.

E como nós sabemos que não há nada melhor que o próprio artista para apresentar seu projeto, nós fizemos um bate-papo rápido com o Jrol Lima, onde ele fala um pouco mais sobre seu trabalho e essa nossa parceria.

Vamos lá, para não nos perdermos:

M&D: vermelho

Jrol Lima: azul

M&D – Jrol, fale um pouco sobre o seu trabalho com ilustrações. Você desenha a muito tempo?

Jrol Lima: Olá. Estou muito feliz em fazer essa entrevista. Espero esclarecer o máximo possível sobre mim.
Não. Eu desenho com frequência faz mais ou menos 1 ano. De um ano para cá que eu comecei a desenhar mais a sério e colocar alguns dos meus rabiscos na internet. Antes eu trabalhava em algo totalmente diferente disso e acabei largando a prática de desenhar.

M&D – Você acompanha o trabalho de outros ilustradores? Você tem algum preferido ou que você use como inspiração para os seus desenhos?

Jrol Lima:  Claro que acompanho! Ver o trabalho de outros artistas, além de inspirador, sempre te ajuda a melhorar o seu próprio desenho. Você pega referências de proporções, perspectivas e traços para adequar ao seu estilo.
Dos meus artistas favoritos estão o André Vazzios, Douglas Feer, Greg Tocchini, J. Scott Campbell, Jab Comix e do falecido Michael Turner.
Embora nem todos eu use como inspiração para os meus desenhos, Douglas Feer é com certeza o que mais tento me espelhar.

M&D – Como surgiu o seu blog e por que o nome “Dobradinha Comics”?

Jrol Lima:  Durante as seções de RPG eu desenhava de maneira engraçada as coisas que acontecia durante a partida. Então na mesma época eu comecei acompanhar algumas webcomics (Willtirando, Um Sábado Qualquer, Mentirinhas…) então eu percebi que elas eram um ponto alto do meu dia. Eu gostaria de fazer isso também. Gostaria tentar melhorar o dia de uma pessoa, nem que fosse por alguns segundos vendo alguma coisa engraçada. Então eu quis montar um blog com os meus desenhos.
A ideia de Dobradinha Comics era porque eu ia montar com um amigo, mas ele ficou cheio de problema e não conseguiu me enviar tirinhas (até tinha uma no blog, porém a removi porque ficou sem sentido manter uma só dele lá).

M&D – Por que você decidiu desenhar tirinhas especificamente sobre RPG?

Jrol Lima:  Eu queria fazer algo diferente. Tava pensando nos temas que poderia ser abordado. Lá no início, as tirinhas eram sobre o meu trabalho como arte-finalista em uma gráfica, mas acabei desistindo da ideia achando que era algo muito específico.
Então eu acabei vendo meus desenhos que eu fazia durante as partidas de RPG e achei que seria legal me concentrar naquilo. Procurei na internet e vi que tirinhas de RPG não eram tão comuns. Daí eu comecei a desenhar sobre esse tema.

M&D – Você se baseia em experiências que você vivenciou durante os jogos de RPG que vc participou para criar as tirinhas?

Jrol Lima:  Sim, me baseio sim. Algumas histórias de jogo são realmente fantásticas e eu faço algumas das minhas tirinhas sobre um evento que aconteceu durante uma partida, mas geralmente eu tento só usar uma história engraçada como fonte de inspiração para uma tirinha. São raras as vezes que eu coloco uma situação que ocorreu numa partida em uma tirinha, pois eu imagino que posso ofender meus companheiros de mesa. Por isso só uso mesmo como inspiração.

M&D – Você joga RPG a muito tempo? Qual o sistema que você mais curte jogar?

Jrol Lima:  Vixe. Jogo RPG a mais ou menos uns 12 anos. Bastante tempo, né?
O sistema que mais joguei e mais gostei de jogar foi o AD&D, no entanto o sistema que é mais interessante e que mais leio sobre é o Daemon.
Gosto muito das sutilezas do Daemon e do universo perverso que é o Trevas.
Também gostei muito do CODA, embora tenha jogado muito pouco.

M&D – Como surgiu a parceria do seu blog com o M&D?

Jrol Lima:  A Erínia me contatou dizendo que estava publicando minhas tirinhas pela fanpage do M&D. Eu demorei bastante e quando finalmente respondi, disse que tava tudo bem com isso… Então comecei a ler o blog do M&D e senti uma vontade de fazer algo para ele. Pensei no que poderia fazer e a ideia das tirinhas exclusivas para o M&D parecia bem divertida.

M&D – Para o M&D as tirinhas também abordarão o mundo do RPG. No que então essas tirinhas irão se diferenciar das tirinhas do seu blog?

Jrol Lima:  No meu blog eu faço tirinhas avulsas. Acontecimentos sem relação um com o outro. Já no M&D, eu quero fazer algo contínuo. Uma história cômica com personagens fixos em que você possa juntar como uma história em quadrinhos.

M&D – Fala um pouco do que você está planejando para este projeto das tirinhas do M&D. Terão dois tipos de tirinhas e cada uma terá sua temporada, certo?

Jrol Lima:  Então. Conversando com a Erínia, nós achamos interessante fazer tirinhas com um assunto específico dos membros do fórum do M&D. Esse era o GAFDBSNRPG (por Jesus Cristo, não me peça para explicar o que é isso), mas quando tomamos essa decisão eu já tinha uma tirinha pronta. Também demoramos um bocado com lance de aprovação dos membros do fórum sobre o GAFDBSNRPG e tal. Daí eu pensei em uma espécie de tirinha reserva.
Dessa forma, eu devo fazer em temporadas (ainda não sei bem quantas tirinhas por temporadas), uma hora sobre o GAFDBSNRPG outra hora sobre o Mas(não)morra (pros) Dragões.

M&D – Qual serão as temáticas abordadas nas tirinhas do  “Mas(não)morra (pros) Dragões” e a “GAFDBSNRPG”?

Jrol Lima:  GAFDBSNRPG tem uma temática específica. Um lugar louco como uma repartição pública em que os funcionários eram pagos com renas de madeira ou algo assim. Eu sei também que tem um clone do Tarcísio Meira; um macaco… Cara! É um universo louco. Eu pretendo, finalmente, dar caras a esse universo louco em que tanta coisa esquisita acontece.

Mas(não)morra (pros) Dragões seguirá um herói principal e suas aventuras em uma terra medieval. Isso é diferente do que eu faço no meu blog, pois finalmente eu terei histórias com o mesmo personagem e poderei fazer algumas piadas bem específicas.
Seguindo esse herói, aparecerão outros personagens importantes para auxiliá-lo… Ou não.

M&D – Você tentou criar um estilo próprio para os personagens das tirinhas do M&D?  Como foi esse processo criativo, porque você escolheu por este estilo de desenho para os personagens?

Jrol Lima:  Essa é uma pergunta complicada.
Eu queria criar um estilo próprio para o M&D. Era algo que eu queria que fosse exclusivo para o site e que as pessoas reconhecessem o estilo dos personagens e o traço como algo do M&D, além de meu também, é claro.
Estudei bastante como eram os personagens típicos em webcomics. Quase todos são finos, com membros alongados. Então decidi que trabalharia com o formato base dos meus sendo uma bola.
Essa foi a maneira básica de pensar nos personagens, porém muitos rascunhos foram feitos até eu chegar no design final.

M&D – Por fim, gostaríamos de agradecer não só pela conversa, mas também pelas tirinhas e também saber se algum dia poderemos ver você aqui no blog se aventurando também como autor de uma matéria?

Jrol Lima:  Opa, o prazer foi meu. A entrevista foi divertida (me senti importante e com vontade de agradecer a minha mãe e aos meus cães por essa honra). As tirinhas estão bem legais e estou me esforçando bastante, tanto pensando em piadas quanto aos desenhos.
Quanto a colaborar com matérias, com certeza farei isso. Muita coisa legal está acontecendo no mundo do RPG e eu gostaria de ajudar a espalhar as notícias desse jogo que eu amo tanto.
Espero que gostem do meu trabalho e divirtam-se.

 

Gostaram do papo? Ficaram curiosos para ver as tirinhas?

Então não vamos fazer vocês esperarem mais. Agora com vocês a nossa primeiríssima tirinha

 

2_01-masmorrasedragoes-armadura-01

 

Esperamos que todos curtam essa novidade. E quem sabe ainda esta semana, por ser a semana de estréia, postemos uma segunda tirinha… Quem sabe 😉

Até a próxima!

Lançamento livro-jogo: Last RPG Fantasy… Entrevista com os criadores

Então galera, aproveitando a proximidade com o dia das crianças eu resolvi dar uma vasculhada na net a procura de material rpgistico que fosse produzido especificamente visando este publico alvo: as crianças e os jovens.

Afinal jogos com temas e regras mais simples seria um ótimo recurso para iniciar a galera mais jovem no mundo do RPG. Mas devo confessar que, infelizmente, encontrei pouca coisa sobre isso, e o que vi sendo comercializado já foi publicado a algum tempinho.

Como alternativa a esta situação eu encontrei os livros-jogos, que também podem ser considerados muito bons para despertar na galerinha mais nova o interesse por jogos de narrativa. Pois neste tipo de livro a história narrada é guiada pelo leitor quando ao final de uma cena ele é levado a fazer uma escolha, ao menos entre duas opções, sendo conduzido com isso a uma determinada pagina ou outra do livro.

O livro-jogo pode não ser um RPG, mas tem as premissas de um.

E foi justamente pesquisando mais sobre livros-jogos que me deparei com um projeto muito legal dos rapazes do site do Lobo Limão (www.lobolimao.com.br), o Last RPG Fantasy.

O site é tocado pelos designers Felipe Saito, Yoshi Itiche e o Marcel Mori e produz tirinhas muito bacanas que, se você gosta de quadrinhos, vale a pena dar um pulinho lá para conferir. Dentre essas tirinhas a de destaque, por ser interativa, é a do Last RPG Fantasy que eles tiveram a ideia de transformar em um livro-jogo.

E percebendo que esta era uma boa oportunidade de divulgar uma iniciativa nacional muito bacana resolvi entrar em contato com os rapazes do site, que muito gentilmente me concederam uma entrevista onde contam um pouco da historia do inicio do site e do projeto do Last RPG Fantasy que já se encontra em fase de pré-venda e que será oficialmente lançado dia 25 de Outubro de 2012 durante a GibiCon, em Curitiba – PR.

Vamos à entrevista?                

Para facilitar

Perguntas =  M&D (preto)

Respostas = LoboLimão (verde)

(M&D) Como vocês três se conheceram? 

 (LoboLimão) Eu (Felipe Saito) e o Yoshi nos conhecemos quando estudávamos japonês em um curso aqui de Curitiba. Tínhamos uns 14, 15 anos, e sempre fazíamos piadinhas e desenhávamos durante as aulas. Foi naquela época que surgiu o “Batsuman”.

O Keiichi estudou com o Yoshi na faculdade, no curso de Design Gráfico da UFPR.

 (M&D) Como surgiu a ideia de criar o Lobo Limão? 

 (LoboLimão) Tudo começou com uma ideia do Yoshi, nas palavras dele:

 “–Eu sempre gostei de escrever e desenhar quadrinhos. Desde meus 10 anos venho tentando criar séries ou histórias que passassem da primeira edição e que extraíssem elogios de mais pessoas além da minha própria mãe. Então, pela primeira vez, estou tentando transformar esse desejo em algo um pouco mais sério. Criar um projeto com o qual eu realmente fosse me comprometer. Foi aí que surgiu o LoboLimão!”

O Yoshi nos ligou e convidou para uma reunião para contar suas ideias de projetos, éramos em mais integrantes, mas depois de 2 anos ficamos só nós três.

Clique para ampliar

Tirinhas Batsuman que estão no site

(M&D) Qual foi a primeira tirinha?

(LoboLimão) Antes de começarmos com o Estúdio o Yoshi já publicava em um blog próprio, e o personagem do “Bastuman” já estava bem desenvolvido. Então no dia 28 de Junho de 2010 ele passou a ser publicado no site do LoboLimão.

(M&D) E especificamente sabendo que se aventurar por esses caminhos pode ser difícil, como foi o inicio do Lobo Limão?

(LoboLimão) O difícil é ser levado a sério… Sempre aparece aquele vizinho, ou aquela tia perguntando quando vamos arranjar uma profissão ou ter uma carreira. O gratificante é trabalhar com o que gostamos assim o ânimo está sempre alto, ninguém reclama em acordar cedo para ir para estúdio (exceto na segunda-feira…).

O mercado brasileiro para histórias em quadrinhos está em expansão, o problema dessa expansão é que muita coisa vem de fora. Com exceção das produções dos estúdios Maurício de Souza, o público em geral não está familiarizado com conteúdo nacional e acha que além da Mônica só existem charges em jornais. Mas muito conteúdo nacional de qualidade está sendo comercializado hoje, só falta mais divulgação e valorização do trabalho destes artistas.

No início não tínhamos um espaço físico, cada um upava o conteúdo de casa. No início de 2011 o pai do Keiichi cedeu uma sala para utilizarmos como estúdio. Então juntamos nossos computadores, livros, materiais, e fizemos um mini-escritório. Fazem apenas 2 anos que o site está no ar, então podemos dizer que ainda estamos no início.

(M&D) O Last RPG Fantasy é a primeira publicação de vocês?

(LoboLimão) Em 2011 publicamos o fanzine “Dino Hunterz #01″ que conta a história de um jovem que acorda em meio a uma cidade dominada por dinossauros sem saber o motivo. A ambientação se passava em Curitiba, e o teaser está disponível no site na parte de one-shots

Essa publicação teve baixa tiragem e foi distribuída no FIQ em Belo Horizonte no ano passado. Os exemplares que ficaram à venda pela LoboStore esgotaram rapidamente. 

Produtos

Já no início de 2012 começamos a produzir o Livro-Jogo Last RPG Fantasy, que terá uma tiragem muito maior (1.000 unidades) e será

no formato livro, com 136 páginas coloridas. É um projeto bem mais ambicioso do que um fanzine, será lançado durante a GibiCon #01 em Curitiba e esperamos distribuí-lo nas grandes redes de livrarias do país.

O projeto está sendo produzido via financiamento coletivo e além do Livro-Jogo trará produtos da série, como camisetas, canecas e adesivos. 

O Livro conta a história de três irmãos aventureiros, que partem em busca dos cristais mágicos para salvar o reino de Midgreen. A história é recheada de elementos dos tradicionais jogos de rpg japoneses misturada com a narrativa dos livros-jogos onde o leitor decide o rumo da história. O primeiro capítulo está disponível no site: e você ainda pode garantir seu exemplar pelo preço de Pré-venda.

(M&D) Last Rpg Fantasy… Dê onde surgiu a ideia para esta tirinha? Algum de vocês joga RPG?

(LoboLimão) Na verdade não temos costume de jogar RPG de mesa, só os de vídeo game mesmo. A primeira série de tirinhas foi baseada numa brincadeira do tempo da faculdade. Nessa série cada tira era escrita e desenhada por um autor diferente, o que tornava a coisa toda bem colaborativa e imprevisível. Porém, quando colocamos no site tivemos problemas com prazos e um público que tivesse “coragem” de participar. A maioria das pessoas dizia que desenhava mal e ficava com vergonha. Então reformulamos a série tomando como base os livro-jogos. Assim os leitores passaram a participar votando toda semana.

(M&D) Porque o  Last Rpg Fantasy foi o escolhido para ser publicado?

(LoboLimão) Graças ao sistema de votação, o Last RPG Fantasy é a série que recebe mais comentários e tem a melhor aceitação do público. Buscávamos um diferencial em nossas publicações, e acreditamos que o leitor interagindo com a história seria um elemento a mais  em uma HQ. Então a combinação de “feedbacks” com o fator de escolha nos deu o caminho a seguir.   

(M&D) Quando iniciou esse projeto vocês tinham em mente algum publico alvo em especifico, como infantil ou rpgistico?

(LoboLimão) O público alvo do LoboLimão e também do livro são pessoas jovens que gostam de quadrinhos, games, animações e também RPG. Falando mais especificamente no livro do Last RPG Fantasy, ele entra na categoria infanto-juvenil. Ele não possui uma trama muito densa, mas também não é tão infantil. Sobre RPG, acredito a série tenha muito mais elementos familiares aos RPGistas do que no livro, pois queríamos explorar um público maior.

Last RPG Fantasy... Clique para ampliar

Last RPG Fantasy. Clique para ampliar

(M&D) Poderia explicar melhor, para quem não conhece como funciona, esta parte de “o leitor decide o rumo da historia”?

(LoboLimão) Nestes Livros-jogos o leitor interage com os personagens decidindo o caminho e/ou as ações a serem tomadas. Por exemplo, ao final de determinadas páginas existem opções como “seguir o caminho da direita, vá para a página 20” ou “subir no telhado, vá para a página 45” ou “enfrentar os inimigos, siga para a página 18”, fazendo com que a história tome rumos diferentes de acordo com a opção escolhida.

(M&D) O livro contém 136 páginas divididas em quantos capitulos?

(LoboLimão) 136 páginas coloridas, que compreendem 6 capítulos e mais alguns materiais extras.

(M&D) Como esta sendo a expectativa de vocês para o lançamento do  Last Rpg Fantasy?

(LoboLimão) Estamos ansiosos e preocupados ao mesmo tempo. Grande parte dos produtos de apoio já estão prontos, e o livro já está quase indo para impressão. Mas dependemos muito do serviço dos correios quanto à documentos e envios das recompensas para os apoiadores.

(M&D) Bom agora uma duvida: Tiragem de 1000 exemplares. Caso essa quantidade se esgote existe a possibilidade de adquiri-lo mesmo assim, como por exemplo, em formato pdf?

(LoboLimão) Já nos perguntaram isso, e não achamos este formato adequado, pois como a leitura das páginas não é sequencial dificulta o acompanhamento através de um arquivo. O ideal seria um arquivo clicável em flash, o qual estamos avaliando a possibilidade.

(M&D) Uma última pergunta:

Sobre o Dino Hunterz #01… Quem tiver interesse ainda tem como adquiri-lo?

(LoboLimão) Não temos mais nenhum exemplar disponível, mas temos planos de fazer uma segunda tiragem em 2013. 

 Gostaria de agradecer mais uma vez a equipe do LoboLimão por ter cedido um pouco de seu tempo para responder a estas perguntas.

Essa iniciativa dos rapazes de Curitiba é ou não bem legal?

Já sabe né, se você curte quadrinhos e tem a possibilidade de ir até Curitiba dê uma passada na GibiCon que irá acontecer dia 25 de Outubro e confira pessoalmente o trabalho do pessoal do LoboLimão

Ah, e se você conhece algum material legal sobre RPG e que seja voltado para galera mais jovem, seja livro-jogo ou RPG, deixe um post e conte para a gente qual a sua indicação.

Até a próxima!

D&DNext: Mike Mearls, sobre o paladino, o ranger e as tradições arcanas para os magos

Então galera fã de RPG, quem ai já ouviu falar em Mike Mearls??

Pois é, ele é o designer chefe o D&D e esta diretamente envolvido com o playtest desta nova edição.

Que alias, por falar em D&D Next uma nova fase do playtest foi liberada hoje mais cedo quando a WotC enviou um link para acessar o formulário de pesquisas com perguntas sobre raças, especialidades, magias, backgrounds e monstros e se você que esta lendo esta matéria faz parte do playtest e ainda não sabia disso nós sugerimos que você dê uma olhadinha em sua caixa e-mail.

Ficou com preguiça de ir conferir seu e-mail não é? Tá bom então, vamos facilitar um pouco as coisas colocando aqui o link para que você possa responder ao questionário 😉

http://www.surveygizmo.com/s3/1024062/D-D-Next-Open-Playtest-Survey-4

Bom,mas voltando a falar sobre Mike Mearls…

A cerca de dois dias atrás foi publicado em um fórum americano uma entrevista exclusiva que um grupo de testadores do D&D Next conseguiu com nada mais nada menos que o próprio Mike Mearls. Nesta entrevista ele responde a algumas perguntas sobre o que foi até o momento esta fase de testes, a reação dos testadores e as previsões das próximas classes;

Ficou curioso para ler conteúdo da entrevista né, e quem não ficaria? Mas você não é muito bom em inglês?

No problem!!

Nós traduzimos a entrevista e trouxemos aqui para você, na integra e em português. Então boa leitura!

Mais uma vez para facilitar:

Perguntas = Testers (preto)

Respostas = Mike Mearls (azul)

(testers) Eu sou um fã de todas as edições de D&D e posso ver elementos de cada um no material do Playtest aberto tanto quanto muitas novas ideias, como vantagem/desvantagem. O retorno que você recebeu até agora dos testadores e dos fãs, que sugerem o que eles sentem sobre outras edições, não representa igualdade? Vocês recebem mais retorno de fãs de uma determinada edição que de outra?

(Mike Mealrs) Nós temos recebido retorno de fãs de todas as edições. Muitas pessoas estão jogando 4e, mas muitos outros estão jogando o restante das edições. Curiosamente, nós estamos encontrando várias pessoas no playtest que jogaram ou que hoje ainda jogam mais de uma edição.

Nós realmente estamos vendo um grupo bem diversificado.  Através de pesquisas, perguntamos aos playtesters o que eles sentem com relação à edição D&DNext, e as repostas no mostram um gráfico. A resposta mais comum foi a 3ª Ed, porém, chegando a 30%. Eu acho que muito por conta da mecânica de regras que apareceram inicialmente com a 3ª Ed.

Realmente não observamos muitos termos baseados em outras edições nos retornos que estamos recebendo. É realmente um alívio ver que jogadores de D&D, como um todo, tem desejos muito semelhantes para o jogo. Embora tenhamos playtesters que jogam todas as edições diferentes, eles realmente não estão pedindo coisas radicalmente diferentes. De fato, com base em onde as coisas estão agora, parece que os pontos de vida e de cura são os maiores pontos de discórdia. Eu suspeito que tudo se resume a estilos de jogo e que tipo de fantasia (heroico vs corajoso) os jogadores querem de D&D.

(testers) Você disse em nossas conversas anteriores e em outros lugares que completa uma classe antes de passar para outra do mesmo tipo. Eu acredito que isso não se aplica ao paladino ou ranger, até o fighter estar completo. O lançamento das classes warlock e do sorcerer no segundo playtest significa que o mago está completo?

(Mike Mealrs) O mago é atualmente a classe com maiores mudanças. Nós planejamos adicionar o conceito de uma tradição arcana na classe. A tradição refletirá como ele estuda a magia e para qual tipo de magia ele é qualificado. Por exemplo, você escolhe pegar evocação como magia da sua tradição, então faça um evocador. Isso garante a você algumas habilidades com armas e armaduras extras, além de garantir acesso a uma lista de magias da escola de invocação que são as magias de assinatura da tradição. Quando você conjura uma magia, você retém fragmentos dela. Cinco minutos depois, você recupera a habilidade para evocar aquela magia. Você não necessitará descansar ou qualquer coisa para recuperar aquela magia. Seus estudos e técnicas permitem que prepare a magia de seu caminho com muito mais poder.

O que foi engraçado, porque nós pensávamos que havíamos concluído o mago até nos começarmos o sorcerer e o warlock. Nós aprendemos muitas coisas destas classes e das pesquisas, o que nos levou a aprimorar a ideia das especializações em escolas e a ideia de tradições.

(testers) Nas edições anteriores e na 4E uma das queixas mais ouvidas era que os conjuradres, principalmente o mago, era o mais poderoso, útil e divertido de se jogar do que as outras classes, especialmente em níveis mais elevados. Será que não seria o ideal usar o mago como uma espécie de linha base para estabelecer o que as outras classes necessitam para se igualar a ela, em vez de enfraquecê-la e fazer as outras classes se sentirem mais relevantes?

(Mike Mealrs) Isto é um pouco da combinação dos dois. Algumas magias precisam ser refreadas, especificamente magias de utilidade, que são tão boas para o seu nível como as magias que eram realmente poderosas quando usadas em combinação com outras magias, e a facilidade de se conseguir itens mágicos e slots de magia para fazer estas combinações possíveis.

No outro extremo, há algumas coisas simples que podemos fazer, como ter certeza de que um personagem invisível não é tão furtivo como um ladino sem invisibilidade. As classes não evocadoras muitas vezes dependem de bônus em rolagens para fazer coisas que a magia poderia prover. O ladino no pacote playtest, por exemplo, tem a garantia de um resultado mínimo de 10 em jogadas com habilidades treinadas. Então, também estamos encontrando maneiras de adicionar profundidade e poder para as classes não evocadoras.

(testers) A pergunta seguinte é semelhante a segunda parte da questão anterior. As habilidades: Superioridade de Combate e Estilo de Combate do guerreiro permitem a ele muitas utilidades e opções para seu avanço nos níveis da habilidade de classe.  Esta foi a sua concepção para equilibrar o guerreiro com o mago e o clérigo, uma vez que eles recebem magias quando avançam de nível?

(Mike Mealrs) Não realmente. Foi mais uma reposta ao desejo que vimos dos jogadores por mais opções de rodada a rodada para o guerreiro. O interessante sobre os dados de perícia é que a complexidade está nas mãos dos jogadores. Nós podemos conceber o alcance das opções, como seguir em linha reta, um guerreiro que usa mais astúcia, ou contra ataques ou táticas mais rebuscadas para vencer um oponente.

(testers) O warlock tem a habilidade de evocar um limitado número de magias como rituais. Nas edições anteriores tanto paladinos quanto rangers tinham habilidades para usar uma limitada quantidade de magias nos níveis mais altos. Algo similar a isso será considerado na concepção destas classes ou talvez outras classes ou ainda, ser uma especialização?

(Mike Mealrs) Ambos Ranger e Paladino muito provavelmente não possuirão magia. Nenhuma classe está muito distante do conceito, mas é possível que amplifiquemos as magias para se distinguir mais do guerreiro.

(testers) Você mencionou no Legends & Lore que você nunca foi louco por ataque furtivo como uma habilidade para ladino que definisse o combate. O que eu não concordo plenamente. Se você não vai usar o ataque furtivo qual mecânica ou opção que você acha que poderia substituí-lo e ainda fazer o ladino se sentir eficaz no combate, especialmente para os jogadores que apenas conheceram a 4Ed para a classe e o jogo? Em um mundo perfeito, é claro.

(Mike Mealrs) Acho que o ataque furtivo é uma grande opção, mas eu também quero fazer ladinos arqueiros, ladinos que usam truques e táticas para derrotar os adversários, ladinos que são realmente bons em se esquivar e frustrar os inimigos,e com coisas assim, tudo se torna possível. A única coisa que eu não gosto sobre ataque furtivo é que ele transforma todos os bandidos em assassinos, ou pelo menos são recebidos assim durante uma luta. Eu acho que quando você olha para os bandidos de AD&D, e de ficção, não são todos atiradores ou traidores.

Do ponto de vista de design, não é realmente de todo difícil para fazer essa mudança. Nós só precisamos criar opções que são tão fortes quanto ataque furtivo e deixar as pessoas escolherem quais os que eles preferem.

(testers) Este segundo pacote do Playtest aberto trouxe de volta específicas sub-raças para o D&D como os lightfoot halfling e Wood elf. Isto é ótimo para dar aos jogarodes mais opções de escolha, mas está no planejamento incluir todas as raças que foram incluídas no Livro do Jogador no início de cada edição? Se for assim nós veremos as sub-raças como tiefling e dragonborn?

(Mike Mealrs) Nós poderemos incluir as raças do Livro do Jogador.  Eu gostaria de apresentar o dragonborn no seu conhecimento de dragões, tiamat, Bahamut e tal, e eu penso que deveria fazer algo similar com o tieflings retornando as suas origens no Planescape e amarrar assim as muitas possibilidades de planos, não somente o Nine Hells.

(testers) Os traços que são disponibilizados pelos antecedents definitivamente apareceram para dar suporte a outros dois pilares, a exploração e interpretação. Por exemplo, o Thief Signs do Thief é interpretativo e o Sage trait Researcher é exploração e interpretativo. Observando o passado 5º nível, nós possivelmente podemos ver um caminho “Paragon” ou opções de classe de prestígio para construir sobre a ideia apresentada nos antecedentes, e a ainda as futuras expanções que os personagens podem fazer para afetar os pilares de exploração e interpretação?

(Mike Mealrs) Uma das coisas que eu gostaria para explorar é a adição de algumas opções para o sistema de habilidade para permitir aos jogadores adicionar mais coisas ao seu personagem baseado em seu antecedente. Outra ideia que eu gostaria de explorar, especialmente à medida que desenvolvemos material para as configurações, é encontrar maneiras de amarrar classes de prestígio ou caminhos Paragon e antecedentes juntos. Por exemplo, a classe de prestígio Cavaleiro da Rosa exige o antecedente escudeiro ou um benefício especial concedido pelo Grão-Mestre dos cavaleiros, juntamente com a realização de determinadas tarefas e tal. Eu gosto da ideia de fundir ações em classes no jogo para fazer algo que você ganha prestígio através de suas ações, ao invés de apenas algo com pré-requisitos mecânicos.

(testers) Existem planos para incluir classes Paragon ou prestígio para continuar a permitir a personalização de personagens ou  apenas a ideia de continuar a ter personagens com especialidades e conceder mais poderes e habilidades com o ganho de níveis?

(Mike Mealrs) Sim. Eu desejo que nós exploremos e desejo continuar com o conceito de classes de prestígio como parte do jogo.

(testers) Existe algum plano para incluir multi-classe e como isso afetaria as especializações?

(Mike Mealrs) Sim, 100% dos planos incluem multiclasse. Algumas especializações dão a você pouco alcance de outras classes, mas todo sistema permite você integrar múltiplas classes. Eu vejo isto simplesmente como outra área onde os jogadores poderão escolher quão profundamente eles querem seguir com uma classe ou arquétipo.

(testers) As descrições de feitiço mudaram a partir das estatísticas e apresentação de texto no primeiro pacote aberto do Playtest e são radicalmente diferentes da apresentação quase pura do 4e . Eu acho que a descrição de texto puro que você está usando atualmente permite muita criatividade em feitiços. Foi essa a mudança no projeto e sendo assim quais foram as razões para a mudança na apresentação?

(Mike Mealrs) Ele foi 100% por design, e a intenção é abrir conjuração para opções mais criativas. Se fizermos isso direito, cada magia tem duas partes. A primeira parte descreve o que está acontecendo no mundo, e na segunda parte tem a mecânica pura. Em algum ponto, para terminar as coisas, nós vamos ter que dar uma orientação aos Mestres de quanto eles querem misturar as duas coisas. Alguns DMs pode querer mecânica 100%, sem elenco criativo. Para outros grupos e Mestres, dirigir a ação com o material de história é o que torna o jogo interessante. Felizmente, o jogo define as coisas para ambos os grupos poderem aplicar sua abordagem à magias como bem entenderem.

(testers) No documento “Criação de Personagem” na seção  avanço de Personagem lê-se o texto, “A tabela de Avanço de Personagem resume avanço do personagem com os primeiros 10 níveis, não levando em conta classe.“ A tabela lista feitos no 1 º e 3 º nível e se não tomar classe em conta onde é que os feitos mencionados vêm? Você incluiu façanhas que são selecionados separadamente dos backgrounds?

(Mike Mealrs) Essas proezas vêm de sua especialidade. Quando você escolhe uma especialidade, basicamente lista façanhas pré-selecionada. No entanto, você pode misturar e combinar feitos como desejar. Alguns talentos têm pré-requisitos que você precisa cumprir, mas caso contrário, você pode selecioná-los livremente.

A ideia, porém, é fazer com que os jogadores pensem mais como construir a personalidade, a especialidade de caráter específico e seu lugar no mundo. Você pode escolher opções com base unicamente na utilidade ou poder, mas se fizermos nosso trabalho direito, você pode olhar para as especialidades ligadas a esses feitos e facilmente criar um conceito para como essas proezas se encaixam para dizer algo sobre o seu personagem como pessoa.

Site de onde a entrevista foi retirada: www.enworld.org/

E então galera aficionada por RPG, o que acharam da entrevista e do que foi previsto como possibilidades prováveis para os próximos pacotes do playtest?

Até a próxima!

Bate-papo M&D e Maria do Carmo Zanini (Devir Brasil) – Expectativas para “O Um Anel”

Uma noticia muito bacana para quem acompanha o blog do M&D.

 Como nós noticiamos aqui, na sexta-feira passada (24/08) a editora da Devir Brasil, Maria do Carmo Zanini anunciou através de seu twitter e facebook novidades sobre a versão brasileira do RPG The One Ring que terá o título de “Um Anel: Aventuras além do Limiar do Ermo”

Pois bem, com objetivo de manter a todos bem informados, nós entramos em contato diretamente com a Maria do Carmo Zanini e adivinhem só…

Conseguimos uma entrevista, um bate-papo exclusivo para o M&D, falando de RPGista para RPGista. 😀

Isso mesmo gente!! A Maria do Carmo é bacanérrima e respondeu as perguntas com a maior boa vontade… Mas vamos parar com a enrolação que vocês devem estar ansiosos por ler o conteúdo deste bate papo, não é mesmo

Para ficar não ficar duvidas:

– Perguntas M&D em preto

– Respostas Maria do Carmo Zanini em azul

(M&D) Qual a expectativa da Srª e da Devir Brasil com relação ao lançamento desta versão nacional para o One Ring? 

(Maria do Carmo) Esperamos que O Um Anel seja um grande sucesso, e não só por causa da proximidade do lançamento do primeiro filme da trilogia O hobbit. Acreditamos que OUA será bem-sucedido simplesmente porque é ótimo. Estamos falando de um RPG de regras simples e claras, um jogo dinâmico e, acima de tudo, absolutamente fiel aos temas e à atmosfera da Terra-média. Suas regras reforçam essa temática o tempo todo.

Também estamos apostando no novo perfil do RPGista brasileiro: jovem adulto, parte da população economicamente ativa e disposto a investir em produtos de qualidade. 

(M&D)  Falando do trabalho realizado na tradução do livro. Foi levada em consideração a Obra Tolkiniana, já que a versão em inglês é a mais fiel nesse aspecto. Então houve nesse sentido uma pesquisa nos livros O Silmarillion, O Hobbit e de O Senhor dos Anéis?

(Maria do Carmo) Sim. O texto original se inspira o tempo todo em passagens das obras terramedianas de Tolkien. Consultamos várias fontes em português e tomamos o cuidado, por exemplo, de traduzir “Healing Hands” por “Mãos que Curam”, como aparece em O retorno do rei. Vejam, por exemplo, este trecho da página de créditos de OUA:

“Para não causar estranhamentos ao leitor brasileiro, todos os nomes próprios, termos  e expressões associados à Terra-média e as citações que remetem à obra de J. R. R. Tolkien seguem o que foi estabelecido em O hobbit, O Senhor dos Anéis e As aventuras de Tom Bombadil, publicados no Brasil pela Martins/Martins Fontes. As traduções são de Lenita Maria Rimoli Esteves, Almiro Pisetta, Ronald Eduard Kyrmse e William Lagos.”

(M&D)  Vi no seu face que a Sophisticated Games aprovou integralmente a versão brasileira de O Um Anel e que a gráfica já está agendada. Existe alguma presisão de data para o lançamento?

(Maria do Carmo) Meados ou fins de setembro, mais provavelmente. Mais tardar, começo de outubro. 

(M&D) Já existe um projeto quanto a tradução do suplemento The One Ring: Tales from Wilderland?

(Maria do Carmo) Mandei hoje cedo um email para a Sophisticated Games a respeito de Tales from Wilderland e o Loremaster’s Screen (o escudo do Mestre, que também inclui uma guia de Esgaroth, a Cidade do Lago).

(M&D) Outros sistemas anteriores que não eram tão fiéis a mitologia do Tolkien pecavam na construção do personagem principalmente o título anterior (Senhor dos Aneis RPG) era muito confuso nesse aspecto o que também dificultava bastante a construção do personagem. O Um Anel é mais fácil nessa parte?

(Maria do Carmo) Eu acho O Senhor dos Anéis RPG um bom jogo, considerando o momento em que foi lançado. As regras para batalhas em massa, por exemplo, sempre me pareceram interessantes e criativas. Na minha opinião, o que talvez desestimulasse um pouco o RPGista médio a abraçar o sistema CODA fosse a indefinição do projeto em relação a dois polos: 1. fidelidade ao cenário; 2. jogabilidade. Por um lado, o CODA, ao colocar os elfos num patamar mais alto, pretendia manter-se fiel à Terra-média, onde os altos-elfos são quase semideuses, mas era o tipo de coisa que levava os jogadores mais competitivistas a reclamar que não valia a pena jogar com outras raças. Por outro lado, o CODA forçava um pouco a verossimilhança ao permitir uma ordem de mágicos.

Pelo que vi, O Um Anel não sofre com essa indefinição. É fiel à Terra-média, e essa fidelidade parece nortear suas decisões em relação à jogabilidade. Talvez por isso tenha escolhido como uma das culturas heroicas (“raças”) os elfos da floresta, não tão poderosos ou fora de escala como os sindar e os noldor.

A criação de personagens é rápida, não exige muitas decisões, mas, mesmo assim, permite a personalização, ao gosto do jogador. Você escolhe uma das culturas heroicas, e isso já determina os índices básicos de várias características. Daí em diante, suas escolhas de atributos preferenciais, antecedentes, perícias com armas, virtudes e recompensas vão individualizar o personagem, de maneira que cinco anões criados na mesa raramente serão absolutamente iguais uns aos outros.

(M&D) Um medo que os jogadores tem é com o sistema de regras do jogo. Como o “Um Anel” tem o seu próprio sistema de regras em que ele difere do tão utilizado sistema d20?

(Maria do Carmo) Eu diria que o sistema de OUA tem pouca coisa em comum com o d20.

O sistema d20 foi criado e aperfeiçoado para fazer uma coisa: enfrentar e derrotar monstros e usar o tesouro das criaturas derrotadas para que o grupo de personagens se torne ainda melhor em enfrentar e derrotar monstros. Não há nada de errado ou ruim nisso. O d20 faz muito bem o que se propôs a fazer desde o início e é divertidíssimo.

O Um Anel foi criado com outra intenção. A ideia é que a cada lance, sessão, história ou campanha de OUA, os jogadores sintam que seus personagem realmente fazem parte da Terra-média de Tolkien. A grande maioria das jogadas é resolvida com as perícias comuns ou perícias com armas, mas as características mais importantes do jogo são Valor, Sabedoria, Esperança e Resistência, e também a parada de Sociedade, que é coletiva. Assim como nas obras de Tolkien, os aventureiros têm de lutar o tempo todo contra o cansaço, a desesperança e a influência perversa da Sombra. O Tesouro que se encontra é usado para aumentar o Prestígio do personagem, o que ajuda a equipá-lo melhor, mas não é uma necessidade do jogo. Os encontros com personagens do Mestre importantes e as viagens pela Terra-média recebem tratamento diferenciado. O combate é ágil e rápido, tem maleabilidade tática, mas a estratégia não é o foco principal, como é o caso do d20.

(M&D) Também no seu face vi que a Srª joga RPG. Falando para os jogadores novatos, como a Srª avalia a mecânica, a jogabilidade de O Um Anel?

(Maria do Carmo) As regras são elegantes e criativas, principalmente as do combate. É muito fácil pegar o jeito da coisa. A iniciativa, por exemplo, não é individual. Age primeiro o Mestre ou a comitiva (os jogadores). Os personagens assumem posições de combate: vanguarda, aberta, defensiva e retaguarda. As posições determinam a sequência em que cada personagem agirá no turno dos jogadores e pode ser alterada a cada rodada. Como vocês podem ver, não é necessário jogar iniciativa a cada rodada e o personagem não passa o combate inteiro preso a um número. Simples e maleável.

As regras dos encontros não combativos talvez sejam novidade para muitos jogadores, pois a narrativa passa a ser compartilhada com eles nesses momentos. E as decisões são negociadas na mesa. Por exemplo, durante um encontro importante, há um número máximo de jogadas nos quais o grupo pode fracassar, por isso é preciso tomar muito cuidado. Antes de jogar os dados, o jogador pode invocar um aspecto do personagem (coisas que ele sabe fazer ou detalhes de sua personalidade, como Navegação ou Desconfiado) para pedir um sucesso automático ao Mestre. No entanto, só vai conseguir esse sucesso automático se todos na mesa, e não só o Mestre, concordarem que ele está propondo um bom uso do aspecto invocado. Quer ganhe o sucesso ou faça a jogada e seja bem-sucedido, caberá ao jogador narrar como foi que o personagem conseguiu o que queria. O Mestre narra o resultado do encontro quando o jogador fracassa.

Minha opinião como RPGista é que OUA é uma delícia.

(M&D) Também no Face eu vi que há uma preocupação quanto a importação dos dados, qual seria o fato complicador nessa operação?

(Maria do Carmo) A imprevisibilidade das decisões dos agentes da alfândega. Tentamos sempre cumprir todos os requisitos legais para a importação de qualquer coisa, mas a alfândega às vezes parece mudar as regras no meio do jogo. Por isso, é sempre uma preocupação se as importações chegarão a tempo para um evento ou promoção. E, como planejamos uma edição em que os dados personalizados de O Um Anel são oferecidos como brinde, só poderemos lançá-la quando os dados chegarem.

(M&D) Como RPGista como a Srª vê os recentes anúncios de novos títulos como o D&D 5ed e o Star Wars Edge of the Empire?

(Maria do Carmo) Bom, eu sou fã de D&D 4E. Dentre as edições que conheci, a 4E me pareceu a mais bem projetada e também a mais fiel à expectativa que o jogador médio de D&D tem do jogo. Por isso, recebi a notícia sobre o D&D Next com cautela e uma certa frustração, principalmente quando a WotC afirmou que pretendia criar um jogo que agradasse aos fãs de todas as edições. No entanto, à medida que foram surgindo outras notícias e os playtests chegaram, comecei a ver que o plano de recriar o D&D em módulos não só era factível como tinha um bom potencial. Hoje aguardo com expectativa o D&D Next e torço pela publicação de um módulo tático que me permita reproduzir na mesa a sensação da 4E, com seus aspectos táticos e estratégicos.

Eu também gosto bastante do Star Wars Saga. Tenho todos os livros da linha. O sistema é bom, mas ainda não me parece ideal para lidar com os temas de SW. Estou curiosa para ver o que a Fantasy Flight fez.

 

 (M&D) Nós do Masmorras & Dragões teríamos um pedido será que a Devir poderia incluir nos seus planos títulos como o warhammer 40k?

(Maria do Carmo) A informação que eu tenho é de que a licença para traduzir Warhammer 40k é muito, muito cara. Infelizmente, hoje não temos com produzir esse material.

(M&D) Muito obrigado pela possibilidade do contato Srª Maria do Carmo Zanini. E eu gostaria de agradecer em nome de todos os membros do Fórum Masmorras & Dragões ( http://www.masmorrasedragoes.com.br/ ) e do Blog Masmorras & Dragões ( https://masmorrasedragoes.wordpress.com/).

(Maria do Carmo) Eu é que agradeço. Foi um prazer.

E então galera, esperamos que vocês tenham gostado desta matéria, desde bate-papo que conseguimos com Maria do Carmo Zanini, editora da Devir Brasil, exclusivo para nós do M&D!
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